Violência e Criminalidade: Uma visão Cristã – Calixto Antonio Fachini

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Violência e Criminalidade: Uma visão Cristã.

Os temas que mais preocupam a população mundial e em especial os brasileiros são a criminalidade e a violência em muitas áreas da sociedade. A pergunta: Porque tanta violência? Porque esse aumento desenfreado da criminalidade? A solução à primeira vista parece difícil, mas vejo que de tão simples nos parece complicado. Tudo que é simples nós dificultamos. O que falta nesse país para manter a criminalidade e a violência num “nível tolerável e aceitável” são a boa vontade e coragem de nossos homens públicos, ou seja, dos servidores públicos. Homens pagos com o dinheiro do contribuinte para fazer o bem. “Servidor público” é aquele que incluiu nas fileiras do serviço público para servir e não ser servido. Todos que recebem salários do Estado são servidores do povo, independente de sua função ou posição, seja do executivo, legislativo e judiciário. Por isso a Bíblia nos ordena a pagar os impostos com a finalidade de manter a máquina do Estado funcionando: Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. (Rm 13.6-7). Muitas vezes reclamamos dos serviços oferecidos pelo Estado, porém usamos os benefícios do SUS, das escolas e universidades públicas, das rodovias e estradas e telefonamos para a polícia e bombeiros em caso de emergência. Por outro lado sonegamos impostos com a desculpa de que há muita corrupção e que a carga tributária é muito elevada. Sim é verdade há “muita” corrupção, mas devemos cumprir aquilo que a Palavra de Deus nos manda fazer. Também é nosso dever pedir nota fiscal quando compramos algo no comércio. Quando cobramos a nota fiscal estamos ajudando o Governo a nos dar uma melhor qualidade de vida. Jesus também nos alertou: Daí pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. (Mc 12.17). Com nossas rendas e salários mantemos o Estado e a Igreja de Deus em funcionamento. Temos que fazer a nossa parte com uma consciência pura e não com um coração egoísta. Aqueles que desviam o dinheiro dos cofres do Estado ou da Obra do Senhor darão conta de suas ações com Deus. Com tal atitude impedimos a qualidade de vida dos cidadãos e o crescimento do Reino de Deus. Deus honra nossa fidelidade.

A Bíblia é a Palavra de Deus e serve como um “manual de funcionamento” do homem. Nesse “manual” encontraremos tudo o que se refere a relacionamentos: O homem com Deus e o homem com o homem. Quando deixamos de lado a Bíblia certamente haverá danos e muitas vezes irreparáveis ao homem e a sociedade em geral. Não temos dúvida de que a pessoa que escolhe o caminho da criminalidade e resolve “ganhar a vida” através de ações ilícitas é porque antes de tudo lhe faltou o temor de Deus em seu coração, ou seja, pouco lhe importa o que vai acontecer após a morte. Muitos até roubam, matam e ainda se preocupam com a sua boa imagem perante a sociedade, outros nem seu “bom nome” é motivo de preocupação. Uma coisa é certa: A Palavra de Deus nos adverte que as coisas feitas em oculto não escapam aos olhos de Deus, e um dia tudo será julgado.

O homem pelo seu poder e influência pode até “comprar” magistrados e autoridades e manter-se “intocável”, mas um dia conhecerá o Juiz dos juízes; aquele que julgará com justiça e equidade. Temos criminosos que usam armas e matam suas vítimas “covardemente”; outros desviam dinheiro dos cofres públicos e suas vítimas morrem “vergonhosamente” nos corredores dos hospitais por falta de leitos e médicos. Aos olhos de Deus os dois têm as mãos manchadas de sangue inocente e tornaram-se homicidas. O desvio de verbas públicas é cruel, pois mata também os sonhos das crianças de terem acesso às escolas, do aposentado de ter um salário digno e assim forçando-os a trabalhar para “sobreviverem”. O filósofo ateu Jean Paul Sartre disse que não suportava a idéia de um Deus nos espiando pelo buraco da fechadura. Por sua vez, o escritor russo Dostoiévski em seu romance Os Irmãos Karamazov” narra que “Se Deus não existisse, tudo seria permitido”. Talvez essa seja a idéia predominante nesse país: A impunidade. Esse sentimento “perverso” de impunidade que assola a nação é a força motriz que faz mover a engrenagem da criminalidade e violência. A impunidade é fruto de leis frouxas, casuísticas e brandas; de governos fracos e muitas vezes corruptos; de juízes e promotores que se enclausuram em seus gabinetes e assim permanecem distantes dos anseios da população; dos processos judiciais que mofam nas prateleiras sem julgamento; da falta de vagas nos presídios e penitenciárias e de uma polícia “de mãos amarradas”, contaminada e ineficiente.

O Estado é um ordenamento jurídico instituído por Deus para manter a paz e a ordem. Muitas vezes precisamos de um choque de “lei e ordem”. Os hagiógrafos nos advertem: Toda a pessoa esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal. (Rm 13.1-2,4). A ausência do Estado é maligna. Onde o Estado deixa de atuar e exercer seu papel social e organizador passa a imperar o medo, a violência e o barbarismo. Por sua vez, as crianças crescem num ambiente maléfico, e seu “referencial” e exemplo passa a ser o criminoso, ou seja, seu ideal de vida é ser quando crescer como “aquele cara” que manda e desmanda no “pedaço”, que trafica, rouba, mata e tem um fuzil na mão. Ah! Um fuzil dá um ar de superioridade e domínio sobre os demais.

A pergunta: Por onde entra as drogas e as armas ilegais? Temos um país de dimensão continental e isso exige que nossas fronteiras sejam fiscalizadas por ar, terra, rios e mar. O Brasil precisa criar uma polícia ou uma força que guarde as nossas fronteiras. Para tal missão que também se use o efetivo das Forças Armadas. Está na hora das Forças Armadas sair do “conforto” dos grandes centros urbanos e realocar seu efetivo de modo a produzir segurança. Manter as Forças Armadas em um país não belicoso é um ônus muito caro. Sua produção é muito baixa e ínfima para um país com tantos contrastes que ainda não erradicou a pobreza e nem a fome. A entrada de armas e o poder dos narcotraficantes ameaçam a soberania nacional. “Estados Paralelos” e drogas ameaçam o futuro desse país. Está na hora da darmos um basta.

Por falar em drogas, uma grande dívida que esta nação tem é em relação aos Centros de Recuperação e Comunidades Terapêuticas para Dependentes Químicos. Muitas dessas unidades trabalham com pessoas abnegadas e voluntárias que já tiraram milhares de pessoas da dependência química e da criminalidade e sem a ajuda do governo. A atual ajuda do governo é “miserável” e “ridícula”. Não vemos nenhum Fundo Financeiro a disposição dessas entidades. Muitas funcionam precariamente e se mantém de pequenas doações.

Por sua vez, o Brasil tem um “belo” Estatuto da Criança e do Adolescente, porém distante da realidade e dos anseios da população. Nesse mundo tecnológico e de tantas informações é até cômico que o adolescente possa matar, roubar, traficar e não ir para a “cadeia”. Parece até piada de brasileiro em Portugal, mas não é. Se for piada é de mau gosto. Neste país o adolescente não pode trabalhar a partir dos 14 anos; não pode ser preso; não pode levar umas “palmadas”; não pode isso e não pode aquilo. Isso é uma “vergonha” que nos causa indignação. Será que o “menor” quando está num ponto de drogas traficando ou assaltando com uma arma na mão ele não sabe o que está fazendo? Sabe sim, e até sabe que está protegido por lei. Precisamos urgente revisar tudo isso.

O lado cruel de tudo isso é quando assistimos passivamente nossos “meninos e meninas de rua” se prostituindo, pedindo esmolas nos sinaleiros ou usando drogas em grupos nas praças. O destino provável desses “excluídos” será uma vida miserável de crimes, mortes ou se “sobreviverem” passar o resto de suas vidas na cadeia. Eles se voltarão contra a própria sociedade que se omitiu. Vemo-los nas ruas e não nos sensibilizamos, porém nos esquecemos que essas crianças entregues ao “deus-dará” são reflexos de nossas próprias almas e carências. Elas refletem o estado espiritual da sociedade e da Igreja do Senhor. Quem são os culpados? Todos nós temos uma parcela de culpa: governo, sociedade e Igreja. Nesse jogo de “empurra-empurra” de responsabilidades todos saem perdendo. Não podemos fechar os olhos como se essas crianças tivessem o poder de se tornarem “invisíveis”. Políticas públicas enérgicas e corajosas devem ser feitas para tirá-los da rua. Que o custo será alto aos cofres públicos não resta dúvida, mas o resultado será compensador. Nossos governantes deveriam liderar essa luta em parceria com outras instituições e empresas. Sabemos que não é só tirá-los da rua e sim mantê-los longe das ruas. Construam-se abrigos; contratem-se professores; façam-se convênios com as igrejas e ONG´S. Deus meu! Será que é tão impossível limpar essa “mancha” que este país tem na comunidade internacional. Quantos europeus e americanos vêm ao Brasil só para fazer “turismo sexual” com nossas crianças e adolescentes? Que Deus tenha misericórdia de todos nós.

Nesse cenário muitos contribuem para o crescimento da violência e criminalidade. Existe um círculo vicioso e demoníaco. Inicia-se com os usuários de drogas, continua na compra dos “inofensivos” CD´s e DVD´s piratas e peças de carros nos ferros velhos e termina na prostituição. Por trás disso tudo há verdadeiras redes e quadrilhas de bandidos e mafiosos que vivem da prostituição, da pedofilia, do roubo de carros e cargas, do tráfico de mulheres, drogas e armas. Os CD´s e DVD´s piratas podem até ser mais baratos, porém não pagam impostos e nem respeitam os direitos autorais.

Temos um novo Congresso Nacional e um novo presidente do Brasil, ou melhor, uma presidenta. Oremos para que essas pessoas sejam instrumentos de Deus e possamos como diz as Escrituras: Ter uma vida “quieta e sossegada”. Que esses homens eleitos democraticamente façam as devidas mudanças e reformas necessárias neste país, tais como: Leis mais severas para crimes de corrupção e sonegação de impostos; menos benefícios e cumprimento mais efetivo da pena dos criminosos; um judiciário mais célere (rápido) e perto da população; uma polícia reformada, comunitária, eficiente e que respeite os direitos humanos; a construção de mais presídios federais para isolar os grandes “bandidos” desse país; presídios e penitenciarias que não ofendam a dignidade humana, com instalações que separem os presos de alta periculosidade dos demais presos e com bloqueadores de celulares.

Finalizando, este texto tem o objetivo de levar o povo de Deus a oração sobre um tema tão crucial e importante, bem como de conduzir as pessoas a uma reflexão, no sentido de se sentirem participantes de todo esse processo. Muitas de nossas atitudes podem contribuir para a diminuição da violência e da criminalidade. A Palavra de Deus nos lembra que somos “peregrinos e estrangeiros” nessa terra, porém um povo que faz a diferença nesse mundo, através de atitudes e exemplos que podem levar as pessoas a serem servos de Cristo. Nossa confiança não está nos homens, porém sabemos da importância de um Estado democrático e com suas instituições fortes e livres de corrupção.

Calixto Antonio Fachini. Pastor Presidente da IJADE.

Bacharel em Segurança Pública pela Polícia Militar de Santa Catarina.

Pós Graduado em Teologia pela Faculdade Luterana de Teologia/ MEUC. São Bento do Sul.
Pós Graduado em Administração Pública pela UNISUL/Polícia Militar de Santa Catarina.
Pós Graduado em Altos Estudos Estratégicos pela UNISUL/ Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina.

Este texto faz parte do Jornal “Folha Ijade” da Igreja Evangélica Jardim de Deus (IJADE). www.ijade.com.br

E-mail: calixtofachini@hotmail.com

pastor.fachini@gmail.com

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