Palestra proferida no Congresso Brasileiro de Missões – Eugene Rubingh

Palestra proferida no Congresso Brasileiro de Missões
Eugene Rubingh

I. INTRODUÇÃO


Existem muitas missões e missionários pelo mundo que não estão usando o mais poderoso instrumento missionário do seu arsenal. Nos meus dez anos de serviço missionário na Nigéria, eu o carrego comigo em minha caixa de ferramentas. Tenho observado desde então muitas missões que têm montado complexas estratégias de campanhas com quadros, máquinas de fax, computadores e literatura atrativa. Mas o que não está presente em sua estratégia é esta ferramenta missionária sem uso – a Bíblia.

Eu posso entender isso. Como pode-se usar de fato a Bíblia? Você cita alguns versos? Afinal, a Bíblia descreve culturas estranhas a nós, de outra época. Ela contém ensinos profundos que nós missionários podemos compreender mas, farão aquelas palavras sentido aos adolescentes na rua? Eles têm tempo para isso, ou algum interesse naquele tipo de missão? A Bíblia é para mais tarde – não para missão!

Bem, então é hora de lermos o nosso verso temático em Atos 4:31: “E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra Deus”. Espero que vocês ao saírem daqui, também, anunciem a palavra de Deus com ousadia.

Agora alguém pode dizer que esta abordagem é séria e forte demais, e que eu deveria começar com uma brincadeira. Muito bem, aqui estão quatro perguntas da Bíblia que talvez você use em sua mensagem: a) O que você tem que Caim e Abel nunca tiveram? (Avós) b) Quem foi o pior dos homens? (Moisés; ele quebrou todos os dez mandamentos de uma só vez) c) Por que Moisés não levou leopardos para dentro da arca? (Moisés não entrou na arca) d) Por que Golias ficou tão surpreso quando Davi o atingiu com uma pedra arremessada por uma funda? (A idéia nunca entrara em sua cabeça antes).

No entanto, suponho que alguns de vocês estão aqui porque gostariam de usar as Escrituras em seu trabalho missionário, mas apenas não vêem como isso seja possível. Ela é, francamente, uma peça literária com muitos milhares de anos. Como pode ela ser uma ferramenta de utilidade para vocês hoje?

 

II. UMA BREVE VISÃO HISTÓRICA

Esta não é uma questão tola. O fato é, no entanto, que desde seus primórdios os cristãos têm usado as Escrituras no evangelismo. Pedro no dia de Pentecostes, Estevão perante seus acusadores, Paulo no Monte de Marte, todos recorrem às Escrituras que levavam para suas mensagens. Sim, eles estão usando a Bíblia para atingir os pagãos. Repetidas vezes os cristãos primitivos usam a Escritura para falar aos incrédulos. Nisto, eles não fizeram nada além do que seguir o exemplo de Jesus. No Sermão do Monte, e várias vezes depois disso, a Escritura está constantemente em seus lábios. E João, ao concluir o seu Evangelho (20:31), escreve: “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome”. O motivo para os relatos de João é claramente evangelístico.

A razão para esse uso constante da Escritura no trabalho missionário primitivo é esta: As pessoas daquela época estavam mergulhadas num mar de mitos e cultos, e estavam desejosas de um padrão que fosse apresentado como impositivo. E essa era uma estratégia muito eficiente. Na batalha contra o Gnosticismo, por exemplo, ter uma autoridade concreta foi a vitória sobre a dúbia escalada dos mistérios secretos. Vários pais da igreja, como Justino, Tertuliano e Teófilo converteram-se desta forma. E todos nós nos lembramos da história de Agostinho. Aos 33 anos, em profundo desespero, no seu jardim em Milão, ele ouviu uma voz: “Tolle, lege”(Toma, lê). Em obediência, ele foi à Bíblia e esta mudou sua vida.

Assim, historicamente a Escritura tem sido uma missionária poderosa. Certamente esse foi um grande motivo para a sua tradução! Deixemos o povo saber que “Deus fala a minha língua também!”

Então acontece uma mudança que ilustra o assunto. Gradativamente, como sabemos, o uso da Bíblia foi ficando restrito aos clérigos e mosteiros. A missão também entrou num período de aridez. Existe uma conexão? Claro! Em 1229 o Sínodo de Toulouse proibiu a posse da Bíblia pelas pessoas comuns. Bíblias bonitas e caras eram feitas pelos monges e artistas, mas o povo comum não tinha acesso a elas. O uso da Palavra na missão se evaporou, e instalou-se a palavra árida.

A redescoberta da Bíblia está no centro da Reforma. Num surpreendente período de 20 anos, a Palavra tornou-se aberta uma vez mais.
1516 – Erasmo publica o Novo Testamento grego.
1522 – Lutero traduz o Novo Testamento para o alemão.
1525 – Tyndale traduz a Bíblia para o inglês.
1535 – A Bíblia é traduzida para o francês.

O motivo claro por detrás dessas surpreendentes duas décadas de traduções da Bíblia é a convicção dos Reformadores do poder do Espírito Santo de usar a Palavra de Deus. Enquanto os protestantes ainda não tinham captado a visão da missão para além-mar, em 1556 uma memorável aventura missionária começou de Genebra. Uma expedição de 18 homens partiu para o Brasil comandada pelo almirante Coligny. Foi o envio missionário pioneiro da Reforma.

Aqui avançamos para recordar John Wesley na Inglaterra e sua turma de humildes pregadores que deram energia ao reavivamento evangélico. Eles usaram bem as palavras e histórias da Escritura em sua missão e a Inglaterra foi transformada. A instituição da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira foi uma conseqüência direta desse despertamento. Em 1792 William Carey partiu para a Índia e assim começava o “grande século” de missões e sociedades bíblicas. Aqui está a questão: o florescimento de sociedades missionárias e bíblicas tem andado sempre de mãos dadas.
Devemos observar aqui que o declínio de missões tem andado de mãos dadas com o declínio da lealdade e do interesse pela Bíblia. O movimento da “alta crítica” em algumas igrejas tradicionais se assemelha claramente à decadência na obra missionária.

Mas, graças a Deus que em nossa época somos testemunha de como a tradução da Bíblia e a campanha missionária estão se expandindo. Enquanto as regiões mais importantes da Europa ficam mais cansadas e pós-modernas, fora dos mais recentes interesses da fé cristã, há um novo fogo e entusiasmo. A história do crescimento da igreja no Brasil é um surpreendente capítulo dessa saga.

Aqui está a conclusão que eu gostaria de trazer a vocês desta visão da história: sempre que a igreja tem sido mais atuante em missões, ela usou a Bíblia como seu principal instrumento de evangelização. Isso tem sempre assinalado os períodos de sua expansão. E o oposto é também verdadeiro: quando o amor pela Bíblia decaiu, o resultado foi um declínio pelo interesse e pela atividade em missões.

 

III. ALGUNS FALSOS CONCEITOS E REALIDADES

A história, por conseguinte, é uma tremenda professora, um prelúdio às nossas atuais realidades. É ótimo ver que a Bíblia foi uma grande ferramenta no passado, mas nós estamos vivendo numa época em que ela é, com freqüência, ridicularizada e considerada irrelevante, não a maior ferramenta para a atualidade. Olhemos com simplicidade para a nossa época. Existe uma quantidade de falsos conceitos sobre o uso da Bíblia que devemos analisar.

A primeira objeção, que você deve ouvir com freqüência, é que a Bíblia não é algo que se possa usar com muita eficiência em missões hoje em dia. Sim, ela é um manual para o pescador, é o nosso guia, mas não é isca para o peixe. Francamente, para o peixe ela é bastante enfadonha. Eu necessito dela para minhas devoções pessoais, mas não posso usá-la na rua. Ela não é atual; ela é antiga.

Esta objeção deve ser encarada com bastante seriedade. Primeiro que tudo, no entanto, considere o que você mesmo pensa da Bíblia. Existe na sua mente basicamente uma compilação de orientações e ensinos do passado distante? Sejamos honestos. Se ela é principalmente semelhante a um livro texto de conhecimentos piedosos, ela não será viva. Mas esse não é o modo que o Senhor deseja que enxerguemos sua revelação. Em Hebreus 4:12 Ele tem algumas palavras fortes sobre o assunto. Eis o Seu ponto de vista: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”.

O meu propósito aqui não é o de colocar uma carga de culpa em todos nós, mas fazer-nos recordar que o Senhor diz que nós podemos usar a Bíblia em nosso esforço missionário. Esta ferramenta, Ele diz, é diferente do seu computador ou do seu carro, porque esta ferramenta vem do coração de Deus. Se você está com receio de que Deus esteja morto, então este livro também está morto. Mas Deus está vivo, este livro é realmente vivo e cheio do Espírito. Não é interessante? Ora, apenas as histórias em si prendem a atenção! Veja a saga de José, uma história de intriga, jogado num poço, levado para uma terra estranha, tentado por uma mulher sedutora, preso, libertado, reunido à sua família distante. Pense na espantosa história de Jonas e o peixe, em Davi enfrentando o gigante, nas parábolas de Jesus! Que tal Saulo de Tarso, o raivoso adversário dos crentes, interrompido em suas pegadas, escapou por sobre o muro num cesto, admirado como bom, perseguido como bandido, preso, naufragado, picado por uma cobra, instalado em Roma! Não, o descrente não pensará na Bíblia como um livro morto. Quando as pessoas se desviam, é pelo que elas encontraram na igreja e nos cristãos nominais. Elas não são desviadas pela Bíblia. Estamos muitos acostumados a essas histórias bíblicas mas, para milhões de pessoas, elas são bastante impressionantes e recentes.

É interessante quando Jesus se curva num humilde gesto e lava os pés dos Seus discípulos? Aqui está a verdade com a qual o pobre e o oprimido do mundo pode realmente se identificar. De fato, é a melhor história que você pode compor, melhor que tudo de sua própria experiência. Não, o descrente provavelmente não pensará na Bíblia como um livro morto.

Este livro realmente trata das questões sobre as quais você quer falar? Por exemplo, como o sofrimento e a dor entram na condição humana? A Bíblica trata esta questão de frente! Cristo é um grande soberano, a exemplo de pessoas poderosas em torno de você? Os poderosos ao redor de você são, com freqüência, “grandes coisas” corruptas, pessoas nas quais você aprendeu a não confiar. Mas Jesus é diferente. A Bíblia fala de um tipo diferente de salvador, o tipo que desperta confiança e fé.

Outro falso conceito é: a Bíblia é principalmente útil para nutrição [espiritual]. O uso dela começa quando você a aceita, e então ela o orienta para viver em discipulado. É esse o seu ponto de vista? Você dá a Bíblia a uma pessoa somente depois que ela ora para receber a Cristo? Ela é para o crescimento na fé, você diz, mas não realmente útil na missão em si?

Claro, a Bíblia é o nosso guia para a vida toda. Mas o núcleo deste workshop é que a sua Bíblia é o meio melhor e mais eficiente de evangelismo. Devo recordar Billy Graham, que está vivo em nossa memória quando segura a Palavra no alto e proclama: “A Bíblia diz…”

É ótimo para o evangelismo de massa, você pode dizer, mas que tal no evangelismo individual? Bem, eis porque a Bíblia é o mais poderoso instrumento na obra missionária individual. Ela mostra que o que você está dizendo não é apenas a sua opinião. Quem se importa com a sua ou a minha opinião? Não, você está levando a mente e o desejo de Deus à cena do seu encontro. E isso é o que o descrente tem de saber. Ele não tem de saber o seu ponto de vista sobre algo. Ele tem de saber a vontade de Deus. Você estará recebendo uma autoridade além de você mesmo, uma âncora para o que você está afirmando. O seu ouvinte sentirá que ele/ela, também, pode ter essa segurança ao invés de apenas passar rapidamente pela vida sem ela.

O terceiro falso conceito é que usar a Bíblia apenas não é relevante no nosso mundo pós-moderno. Nosso mundo é composto de naves espaciais, microscópios e Internet. O jornal de São Paulo diz respeito ao meu mundo, não algo sobre sacrifícios sangrentos, regras estranhas a respeito de comida e antigas guerras. Quero falar a respeito da vida de agora! O que pode ser dirigido a mim exatamente onde eu vivo neste momento?

Sim, isso é verdade: as pessoas querem falar a respeito de sua própria situação. E ainda a condição humana é a mesma através dos tempos. Quando você está preso a uma cama de hospital, suas questões são as mesmas daqueles homens e mulheres experientes através dos tempos. O que acontecerá comigo? Alguém me ama? Como posso manter contato com Deus agora mesmo?

Você sabe, é então que essas questões sobre a relevância da Bíblia tendem a se desvanecer. O consolo e a esperança contidas na Bíblia de repente tornam-se muito relevantes. Sua mensagem toca todas as idades. Você encontrará histórias maravilhosas para as crianças, salmos profundamente emocionantes e as palavras poderosas de Jesus. Sim, eu tenho estapeado Deus no rosto em minha vida. Há algum caminho para mim? De repente a vida não é apenas uma viagem para adquirir mais brinquedos, não uma jornada apressada para o meu próximo compromisso. Eu tenho um guia ao longo dos quilômetros de concreto que eu cruzo todos os dias. Fora de moda? Não. Numa obra missionária, a Bíblia é o livro por excelência para o mundo pós-moderno.

 

IV. UMA ESTRATÉGIA DE MISSÃO CENTRADA NA BÍBLIA

Quero agora voltar com você para formar uma estratégia centrada na Bíblia para missões. Como eu disse no início, muitas missões não têm uma estratégia centrada na Bíblia. Elas estão comprometidas com todo tipo de trabalho maravilhoso e alcançam milhares de pessoas, mas não estão centradas na Bíblia. Pode haver estratégias complexas de campanhas com grandes orçamentos. Mas se a nossa estratégia não estiver centrada na Bíblia, estamos correndo o risco de colocar os pensamentos do homem acima dos de Deus.

No ano passado, na conferência de Billy Graham denominada Amsterdã 2000, o Dr. John Stott enfatizou esta importante questão, e disse que se a sua missão não for centrada na Bíblia, em primeiro lugar você não terá nada a dizer e, em segundo lugar, você não tem nada que realmente valha a pena ouvir e, finalmente, não há motivo para esperar o sucesso. A Bíblia, disse ele, dá à sua mensagem três coisas: Primeiro que tudo, é a Bíblia que deve dar conteúdo à sua mensagem. A mensagem da Bíblia vem diretamente de Deus, assim, por que deve você apresentar algo menos? Você pensa que precisa amenizar as inflexíveis verdades da Bíblia falando de algo mais? Não. Resista a essa tentação; mantenha o foco nas exatas palavras da Bíblia.

Em segundo lugar, disse ele, a Bíblia dá autoridade à sua mensagem. Quem de fato se importa com a sua ou a minha opinião sobre a salvação ou a eternidade? Em seus corações as pessoas querem e precisam de uma palavra que se imponha. Elas podem falar de sua aversão por autoridade, mas é a conversa do ego orgulhoso. Só a Palavra autorizada de Deus provê o que precisamos.

Finalmente, a Bíblia dá poder à sua mensagem. A Bíblia está repleta de imagens de poder. Ela diz que a Palavra de Deus é fogo, é semente, alimento, martelo e a espada do Espírito. Essas não são figuras embaçadas e sem vida. Ao contrário, se tomamos a Bíblia a sério, vamos usar esse instrumento do poder de Deus em nossa missão.

Por isso o meu propósito é que você considere a Bíblia como o mais usável e poderoso instrumento para a missão. Sei que isso vai contra anos de tradição e desleixo. Talvez você esteja dizendo que apenas não conhece a Bíblia suficientemente bem para usá-la como Billy Graham. Gosto disso. Quero desafiá-lo hoje a aprender um, apenas um, verso por semana. No final de um ano, você terá memorizado 52 versos. E, na verdade, você não tem de memorizar perfeitamente o verso. Se você sempre carrega a sua Bíblia, terá apenas de memorizar a localização. Deixe-me dar a você aqui seis versos centrais para o seu ministério de evangelismo. Tome nota. Eles se encontram exatamente na ordem certa para você usar.

O primeiro é Romanos 3:23. “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Ninguém pode negar essa verdade a respeito da condição humana. Ele prende a atenção. Ninguém foge deste verso.

O segundo verso a recorrer é Romanos 6:23: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Quem pode negar que o pecado e o mal têm conseqüências, talvez não imediatamente, mas com certeza no final? Ainda mais, existe um caminho de miséria e morte! O ponto central da sua mensagem está chegando!

O terceiro verso para você usar é Romanos 5:8: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. Esses versos fluem um depois do outro numa perfeita seqüência. O próprio Deus deu o meio. Ele aplicou ao Seu filho a penalidade que você e eu merecemos. Ninguém despreza Jesus! Compartilhe a melhor das notícias.

O quarto verso para você usar nesta progressão está em Efésios 2:8-9: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. Assim, as nossas boas obras nunca nos salvarão. O seu amigo descrente deve compreender isso de uma forma direta. Não por obras, mas somente pela graça.

O verso número cinco está em Atos 4:12: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. Todas as alternativas são inúteis. Deus é exclusivo a respeito disto. Espiritismo, Nova Era, o deus que você criou, nenhum deles funciona. A Bíblia é clara; este é o único caminho.

E finalmente, aqui está o que arremata, João 5:24: ” Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”.

Estas seis passagens são o núcleo da mensagem bíblica. Use-as sempre em seu ministério e você nunca mais vai ouvir que a Bíblia é boa somente como alimento [espiritual] e não tem utilidade para o evangelismo. Meus amigos, ela é exatamente o coração do evangelismo, a chave para tudo o que você deve fazer para Deus na atividade missionária individual.

Se, no entanto, você está se reunindo com um grupo, especialmente quanto se trata de crianças, deixe-me sugerir que a sua estratégia seja a de contar as histórias da Bíblia. Na nossa missão em Serra Leoa, essa é a nossa estratégia: um vez por semana o missionário chega ao vilarejo ou ao local da reunião na cidade, e conta uma história. A Bíblia está repleta de histórias maravilhosas e contá-las é um poderoso meio de comunicação da palavra de Deus. Coloque todos os seus recursos na história: música, dramatização, vídeo! Conte as histórias, uma por uma, e saiba que você está fazendo a vontade de Deus.

Agora deixem-me dirigir uma palavra aos que realizam o que é conhecido como encontro de poder. Para vocês, as estratégias bem planejadas e ensinos intelectuais das missões tradicionais têm sérias falhas. O confronto de vocês com Satanás é imediato e pessoal. Vocês se empenham em apaixonados confrontos. As pessoas não estão perguntando a vocês: “O que o seu Deus sabe?” mas “O que o seu Deus faz? Em resposta a isso, vocês entram numa batalha espiritual com o inimigo. Vocês praticam ministérios de cura e expulsão de demônios em nome de Jesus.

Uma crítica comum aos que estão engajados em encontros de poder é que eles substituíram a Bíblia pelo Espírito Santo. Ao apelar para o Espírito do Senhor eles deixam de lado a Palavra do Senhor. Mas, meus irmãos e irmãs, isso não pode ser! As exatas palavras de Efésios 6:17 mostram que tal separação é completamente inválida. Este capítulo nos dá a armadura para a batalha espiritual e o verso 17 fala-nos para “tomar a espada do Espírito, que é a palavra de Deus”. Por essa razão sempre, e eu quero dizer sempre, use a Bíblia em seus encontros com as forças das trevas. Diga, como diz Deus em Isaías 45:23: “Diante de mim se dobrará todo joelho!” Proclame o amor de Deus nesta guerra nas palavras de Romanos 8:38,39: “Nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes,… poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Meu colega soldado nesta batalha espiritual, esta é exatamente a espada do Espírito. É a Palavra de Deus.

 

V.ENFRENTANDO DEUSES ESTRANHOS

Realmente, em todas as nossas atividades missionárias estamos enfrentando deuses estranhos. Ao vocês lidarem com o espiritismo aqui no Brasil, eu digo que a Palavra de Deus é o seu instrumento de escolha, simplesmente porque ela tem autoridade sobre qualquer espírito.

No país de vocês, como no meu, estamos enfrentando uma violenta pornografia e sexualismo. Esse hábito, via Internet, não é desconhecido entre pastores e missionários, bem como entre os descrentes que vocês enfrentam. Aqui não cabem sugestões educadas ou brandas. Somente as poderosas palavras impositivas de Colossenses 3 é que bastam: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno, e a avareza, que é idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus…”

No trabalho missionário de vocês, alcancem mesmo as mulheres que exploram o sexo comercialmente. Lembrem-se de que elas são, com freqüência, vítimas, terrivelmente exploradas e sujeitas à AIDS. Nenhum amigo de fato está indo até elas, como fez Jesus. Não tenha pressa em condená-las em sua miséria, mas dê as elas os Salmos, para que na Palavra de Deus elas possam encontrar força e a saída.

Para aqueles que no Brasil ainda são pegos pela adoração da natureza, usem o Salmo 97, que celebra toda a criação, mas não hesita em declarar o Senhor como Deus da terra e do céu. O salmo 97 é a nossa bandeira contra todo paganismo.

Finalmente, quando vocês se defrontarem tanto com a Nova Era e o pós-modernismo e todos os que vagueiam sem uma autoridade definitiva, deixem-me dizer-lhes que a Palavra de Deus é precisamente o mais poderoso instrumento de vocês. Diálogo e razões brandas não se encaixam com essas pessoas. Elas estão prontas para que você tenha o seu próprio atalho, para que vocês montem a sua própria narrativa. Em sua estranha mistura de panteísmo e agnosticismo perambulam num deserto. Para eles nós simplesmente declaramos as palavras de João 14:6: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.
Agora deixem-me apresentar-lhes um número de produtos da Escritura para o uso de vocês no trabalho missionário.

 

VI.CONCLUSÃO

Meus queridos amigos, tentei indicar uma quantidade de formas específicas pelas quais podemos e devemos usar a Escritura para enfrentar os deuses estranhos e, de apresentar as palavras de salvação. No entanto, há uma questão básica que subjaz a todas estas estratégias e eu quero concluir com essa maneira particular de ver as coisas. Essa visão individual, essa postura que vocês assumem, essa maneira de viver, tem sua origem, no final das contas, no próprio compromisso de vocês com a Palavra de Deus.

Hoje há muitas pessoas que não sabem ler, e que não lerão. Para elas a Palavra impressa não é o caminho para os seus corações. Não há, então, nenhuma palavra do Senhor para elas? Sim, existe e, para aqueles que não podem ler, estão lendo vocês. Vocês próprios são o livro de Deus para eles. Eles lêem o interesse e o amor de vocês, eles lêem o desgosto e a preguiça de vocês, elas lêem a humildade e o orgulho de vocês. De uma forma muito real, nós nos tornamos livros. Sabemos que Cristo é Deus encarnado, o único Filho de Deus. Mas vocês e eu, também, encarnamos a mensagem. E a questão é, que espécie de leitura somos no dia a dia?

Espero que possa ser dito de vocês e eu, quando formos para o mundo de Deus com a Sua Palavra: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo, e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” .

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Dr. Eugene Rubingh

Ministro da Christian Reformed Church nos EUA, Conferencista e Professor. Atualmente atuando como Consultor da International Bible Society, em Colorado Springs, Colorado (EUA). Foi missionário na Nigéria e professor no Calvin Theological Seminary.

Atuou como Coordenador da Comissão (Norte-Americana) de Tradução da NIV (New International Version) Bible e Vice-Presidente de Tradução da IBS até o ano passado.

Foi o interlocutor da IBS junto ao Dr. Russell Shedd e Edições Vida Nova, a partir de 1986, visando o início do projeto de Tradução da NVI no Brasil e teve um papel decisivo nas atividades da Comissão de Tradução da Bíblia na Nova Versão Internacional.

 

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