O pato evangelista

O PATO EVANGELISTA

 

            No ano de 1988 estava eu participando de uma cruzada evangelística com a Assembléia de Deus na cidade de Piracaia, São Paulo, igreja filiada ao ministério de São José dos Campos que é agregado ao Belém.

            Bem, como estava hospedado na casa pastoral da igreja, o Pastor Benedito Pereira levou-me ao quintal no fundo do templo, onde um velho pato, nos dias de culto ou festa na igreja, unia-se aos irmãos andando entre eles fazendo o seu “quac-quac”.

            Vendo o pato entre os irmãos no quintal da igreja, perguntei ao Pastor:

            – O que este pato está fazendo aqui no fundo da igreja?

            O Pastor deliciando-se com um pãozinho com carne moída, disse:

            – Esse pato já ganhou mais almas do que muitos crentes!

            Ri.   O Pastor então disse com o tom sério:  É verdade!   Ele é foi um verdadeiro evangelista!

            Curioso pedi que o Pastor me contasse a história do “pato evangelista”.

            O Pastor, chamando um casal de irmãos já idade avançada, disse:

            – Estes irmãos eram os donos do pato que eu comprei deles, e vou contar a história.

            A esposa era uma beata católica que não faltava um único dia à missa de domingo pela manhã, mas o marido era um ateu convicto e não aceitava ir à igreja de maneira alguma.  Ele questionava a existência de Deus e o poder dos ídolos, não cria em nada.

            Todos os domingos, como era regra, a esposa pedia ao marido para matar uma galinha ou um pato para o almoço dominical, o que ele fazia prontamente.

            Havia numa varanda rústica da casa, um cepo com dois pregos onde ele prendia a cabeça da desafortunada ave e cortava-lhe o pescoço com o machado.

            Isto se repetia todos os domingos.    A mulher sempre lhe convidava para ir à missa na igreja, mas ele não aceitava.   Farto de dizer não à esposa, lhe fez uma aposta:

            – O dia que você clamar ao seu santo de devoção para que salve a galinha ou o pato no momento que eu o for cortar a cabeça e o santo salvar o bichinho, então eu acreditarei nos seus santos e irei à sua igreja!

            A esposa, cheia de esperança, todos os domingos clamava a um santo, mas as cabecinhas continuavam rolando, domingo após domingo, centenas de galinhas e patos perderam a cabeça naquele cepo apesar do pedido da mulher que aos poucos ia perdendo a sua fé em seus santos.

            Um belo domingo, após voltar da missa, pediu que o marido matasse um pato ou uma galinha para o almoço, como era de costume.   Como a lista de “santos” havia acabado, a esposa então disse:

            – Jesus Cristo, salva o pato!

            Quando o marido levantou o machado para cortar o pescoço do pato, o cachorro que assistia a cena latiu e ficando somente sobre as patas traseiras, com as patas dianteiras empurrou o marido que se desequilibrou e caiu, soltando o pato que não perdeu a oportunidade de sair para a rua desesperadamente fazendo seus “quacs-quacs”.    Atrás do cachorro ia o marido, a mulher, e o pato parou na porta de uma padaria onde alguns homens bebiam, e vendo a cena passaram a perseguir o pato na ânsia de alcançar a ave fujona.

            O pato parou em frente a um bar e também fez seus “quacs-quacs” e outros homens que estava no seu interior passaram a perseguir o pato.

            Finalmente, exausto pela corrida, isto por volta das 10:30hs da manhã, o pato entrou na Assembléia de Deus, onde o Pastor Benedito Pereira estava no púlpito encerrando a escola dominical.    O pato afoito passou pelo corredor central, subiu a escada lateral do púlpito e refugiou-se entre as pernas do Pastor.

            A multidão que perseguia o pato fujão entrou lentamente na igreja tirando os seus chapeis em sinal de respeito e lentamente chegaram diante do púlpito.

            O marido então disse:

            – Seu Pastor, só quero o meu pato!

            O Pastor pegou o pato que se refugiava entre suas pernas e o pos sobre a tribuna e perguntou ao homem:

            – Quanto o senhor quer pelo pato?

            – Ele não está à venda!  Respondeu o marido.

            O Pastor insistiu:

            – Quanto o senhor quer pelo pato, pode dizer!

            O marido, na ânsia de desestimular o Pastor a comprar o pato, disse:

            – Duzentos Reais!  ( Mas na moeda da época! )

            O Pastor, sem pestanejar, abriu a carteira e deu os duzentos Reais ao homem que começou a rir.

            – O senhor, seu Pastor, poderia comprar 10 patos por este valor!

            Então o falou para o ex dono do pato:

            – Esta noite tive um sonho, e no sonho a voz do Senhor me dizia:  Uma criatura entrará na minha casa em busca de refugio e proteção, comprai-o pelo preço que lhe for pedido porque ele será meu até que esteja velho e expire.

            O Pastor continuou:

            – Então este pato viverá enquanto o Senhor lhe der vida!

            O marido olhando atônito para a sua esposa disse:

            – Mulher, o Jesus dos crentes salvou o pato!     Esse Deus existe!

            O marido, a mulher e mais 15 almas aceitaram Jesus naquela manhã.

 

            Então, aproximando-me do pato, passei a mão sobre suas costas e disse:

            – Bom menino, bom menino!

            Ele simplesmente olhou-me fixamente nos olhos e fez:

            – Quac!

 

 

Pr. Walter Antunes

Obs:  Esta é uma história real que aconteceu na minha vida quando ainda dava os meus primeiros passos na fé.    Quanto ao Pastor Benedito Pereira, depois da cruzada, nunca mais nos encontramos, mas o pato, com toda certeza, já deve ter terminado a sua missão neste mundo!

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Um comentrio

  1. Seja lá como for, o certo é, que Deus é o mesmo ontem e hoje e sempre será!
    É o Deus das causas grandes e impossíveis, que não podemos resolver, pois está além de nossas forças.
    È também o Deus de pertinho que está nas causas simples e nos abençoa a resolver.
    Deus faz o que quer, como quer, onde quer e com quem quer, afinal Ele é Deus onisciente, onipotente e onipresente.
    Ainda assim Ele respeita tremendamente nossas escolhas.
    Muitas vezes não entendemos os designos de Deus, porém tudo colabora para o bem dos que amam a Deus.
    Eu escolho esse Deus.

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