Mensagens Evangélicas


Contra a prostituição! Vá e não peques mais!!!! Daniel Fernando Ribeiro César

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Contra a Prostituição! Vá e não tornes a pecar!!!!


        Gostaria de abordar hoje um tema polêmico, que é a prostituição. A prostituição é um problema antigo, mas parece que toda a modernidade do mundo não consegue dar um basta a este problema que atinge, maltrata e humilha milhões de vidas, pessoas que sentem, que amam, que choram, que a prostituição através da influência de Satanás segue destruindo milhões de vida. A falta de educação moral é apontada com uma das principais causas da prostituição. A começar pelos pais que muitas vezes fazem cenas escandalosas perto de seus filhos. Seria bom se todos os pais se privassem de fazer cenas escandalosas perto de seus filhos. Pois tudo que a criança, o adolescente vê ele assimila. Uma conduta vista em casa repetidamente muitas vezes é encarada como uma coisa normal, do dia a dia.

        
Uma pergunta que surge em nossa sociedade é se a exemplo do menino, do mendigo, do louco, do drogados, se a prostituta deveria ir para uma clínica de recuperação da prostituição? É uma pergunta que paira sobre a sociedade. Mas ninguém não tem coragem de fazer nada, as mulheres muitas vezes por pura discriminação e os homens por medo de ser visto como companheiro das prostitutas, ou seja é contra a sua reputação. E ela segue sozinha sem ter a quem recorrer...

        Existem pessoas, religiosos como Pastores e padres, e muitas vezes políticos que pretendem fazer leis para limitar o espaço físico das prostitutas, comportamento observado desde a época da colonização em que se pretendia "ACABAR COM A PROSTITUTA", "ACABAR COM A PROSTITUIÇÃO" em sentido literal, ou seja, o foco da ação é contra a prostituta. Sem pensar que ali estava se tratando de uma vida, de uma pessoa, de alguém que tem sentimentos, de alguém que muitas vezes é mãe, é filha, tem sentimento, vive, sente, pode ter seus filhos, sofre, que é uma pessoa, que tem a sua dignidade, que tem e assim como qualquer um de nós merece o direito de ser feliz.

      
 Existe um caso que ganhou controvérsias que é um jogo americano desenvolvido pela empresa GTA em que a pessoa além de roubar o carro, estupra, espanca e mata a prostituta, e assim o fazendo ganha pontos. No mesmo estilo do jogo proibido "CARMAGEDON" só que a violência está direcionada contra a prostituta. Esta empresa já está sendo processada nos Estados Unidos por causa deste jogo.

        
Deus sabe o quanto eu amo e respeito a figura de um pastor que conheço, Cristão, temente a Deus, missionário, homem de fé, mas que não anda no carro com uma irmã da própria igreja se a mesma tiver de calças. Imagine se a mesma fosse para uma prostituta? Se o preconceito é tão grande pelo fato dela andar de calça, imagine se ela fosse prostituta? Este pastor jamais pregaria o evangelho para uma prostituta, talvez com medo de contaminar com suas impurezas.

        
Uma pergunta que surge é se prostituta vai para o Céu? mas de acordo com Jo 8,10-11: "E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?", ou seja Jesus não a condenou pelo fato de ser prostituta apenas disse: "Vá e não peques mais". Em outra passagem em
Mateus 21,31: "21:31 Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus. Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer.", ou seja, se você por uma prostituta, se você crer em Deus e se arrepender de seus pecados, com certeza, a tua salvação será alcançada pela graça.

        Prostituição é uma doença?
Será que é doença ser prostituta? Alguns estudiosos tentam encarar a prostituição como uma doença. Eu, particulamente, discordo deste pensamento. A prostituição por onde passa transmite várias doenças de natureza sexual, mas em si ela não é uma doença, ela é fruto de uma sociedade que muitas vezes pela discriminação em si realizada não dá chances a prostituta de sair do estado lamentável que se envolveu.

        
A mulher no mundo é vítima, sempre foi vítima, 75% ou seja 1 em cada 4 mulheres apanha ou já apanhou alguma vez na vida de seu marido. A estatística para gravidez ainda é mais exorbitante, ou seja, de acordo com o IBGE um milhão de garotas ficam grávidas a cada ano. A mulher de maneira geral deveria deixar de ser preconceituosa e discriminatória e dar as mãos e tentar fazer uma sociedade mais justa. Sabe o que é o amor, o amor não é culpar o governo, culpar os governantes, culpar a família pelo caos social, mas sim, a cada dia, estar fazendo um mundo melhor, estar lutando a cada dia por uma sociedade mais humana, mais justa, que ame mais. Amor é amar ao próximo como a si mesmo, a cada dia, a cada amanhecer, a cada por do sol.

        
Existem mais dois pensamentos preponderantes em nossa sociedade, o da mulher: "Eu vou ficar bonita, arrumar um coroa rico que vai me dar de tudo de bom e do melhor " e do outro lado o pensamento dos homens que é "Homem tem que ter poder, tem que ter dinheiro, e nunca se envolver com mulher nenhuma". São pensamentos vindos diretamente da boca de Satanás em direção a cabeça do povo, pensamentos que fazem muitos larem se romperem, muitas uniões se acabarem e as pessoas passarem a vida em busca de tolices do mundo em vez de se ater a um pensamento cristão e sádio que é um casamento com uma pessoa abençoada. Na Bíblia diz: "Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 João 2:15). “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?” (Mateus 16:26). “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 1:10-11).". Tudo neste mundo é vão, tudo passa, somos apenas pó. Daqui 100 anos ninguém estará aqui. Aonde vai passar a eternidade? As pessoas hoje deveriam buscar um casamento em que o homem é líder e a esposa é a perfeita auxiliadora. Hoje em dia as pessoas pensam só em si mesmo, quase nunca pensam no outro.

        Você é um pai omisso?
Existe uma estatística que diz que quando uma jovem tem algum problema, em 80% das vezes, ou seja em 8 a cada 10 pessoas, ela procura apenas a mãe, somente 20 por cento, ou seja 2 a cada 10 pessoas é que busca auxílio de seu pai. Então se você for um pai, abra teu coração a Deus, abre o teu coração. Abre o teu coração para teu filha, conversa com ela. Dê uma chance dela se abrir com você.

        
O sexo é algo prazeroso, mas é necessário que seja vivido com respeito, responsabilidade e zelo. Não se deve fazer sexo fora do casamento, se alguém o fizer deve fazer com responsabilidade. Devemos nos respeitarmos, respeitarmos nosso corpo. O corpo do homem e da mulher é o templo de Deus. Leve uma vida limpa. As doenças venéreas estão ai a cada dia matando, alejando, levando ao cancer, levando vidas. Somos 175 milhões de habitantes, sendo 34 milhões adolescentes. No Brasil já existem confirmados 600 mil pessoas portadoras do virus da Aids, ou seja o número de casos aidéticos é de 215447 pessoas em 2001, ou seja, divida 175 milhões por 600 mil: 1 pessoa a cada 295 pessoas já é portadora do vírus da AIDS. Esta estatística foi retirada pelo Boletim Epidemológico de 2001 - IBGE. Deve-se notar também que a Estatística do IBGE na minha opinião tem uma classificação que induz ao erro, a pessoa a achar que os casos de AIDS são em menor número porque classifica uma pessoa que está com o vírus da AIDS em seu corpo e contaminando novas pessoas apenas como "PORTADOR DO VIRUS DA AIDS" e e apenas a pessoa que tem a doença em um estágio desenvolvido como "AIDÉTICA". Ou seja, é um perigo hoje se fazer sexo com qualquer pessoa.

        
Uma coisa importante também é que hoje em dia, senhoras de idade, com 70, 80 anos, idosos trabalham, vendem uma coisinha, faz um biquinho daqui e dali e lutam, e hoje, não sei se pela TV e facilidades da vida moderna, existe uma grande imensa de jovens que simplesmente não tem coragem de trabalhar, pessoas que se escoram, não tem coragem de arregaçar as mangas e partir para o trabalho. São pessoas sem coragem de viver, sem coragem de trabalhar. Mas você pode mudar esta situação, você pode fazer a diferença. Não se entregue, não passe o dia atoa, faça alguma coisa!!! Faça a diferença!!!! Produza, leia, estude, insista!!!! Temos que ter sede de viver. Temos de ter coragem de trabalhar, de lutar, de fazer, de vencer!!!!

            Trabalhar não mata, apenas dá saúde. Na Bíblia diz que "AO QUE NÃO TRABALHA MELHOR QUE NÃO COMA" e "O TRABALHO DIGNIFICA O HOMEM"

         Temos preconceito, temos preconceito com a idade, preconceito com a formação, preconceito com a aparência, quanto ao sexo, devemos parar de ser preconceituosos, pensar nas outras pessoas como indivíduos, que carecem de amor, carecem de atenção, de carinho, muitas vezes de uma palavra amiga, devemos olhar para os outrs e pensar que eles tem as mesmas necessidades que nós, que eles também carecem de amor.

        
Lembro um dia em que indo de Brasília a Anápolis e dei carona a duas jovens que trabalhavam em Brasília e iam para o interior de Goiás naquele dia para levar dinheiro para casa. No meio do caminho elas me contaram que na verdade elas eram prostitutas e estavam ali com algum dinheiro que juntaram através de sua prostituição para comprar um bar, comprar uma lojinha, fazer alguma coisa, para levar dinheiro para os pais. Lembro-me que antes de deixá-las na rodovia me contaram que estava com fome, convidei-as então, a meu custo, para fazer um lanche em Anápolis. Ao entrar na primeira padaria qual não foi minha surpresa ao ver a caixa da padaria olhar com desprezo para aquelas duas pessoas. Olhou para elas como se elas fossem o verdadeiro lixo da raça humana. Eu peço para você, se você é caixa, trabalha num mercado, num hospital, numa farmácia, mudem o seu modo de agir e pensar. Se um dia tiver conhecimento ou imaginar que alguém é uma prostituta, lhe dê mais amor, lhe dê mais carinho, não só aquele carinho que você ia dar normalmente, mas o dobro, porque muitas vezes é uma pessoa que sofre, que sofre muito, que precisa de sua ajuda para sair daquela vida. Não seja aquela pessoa que ajudou a derrubá-la, mas seja uma mão que lhe ajudou a ficar de pé.

            Aqui abaixo segue um testemunho real transcrito do livro "O Grito de Milhões de Escravas - A Cumplicidade do Silêncio da Editora Vozes:

"DÊEM OPORTUNIDADE AS MINHAS IRMÃS DA ZONA!"

            Cai nessa vida porque a Sociedade não me deu oportunidade de pagar o cheque que tinha emitido para pagar a casa e cuidar da saúde da minha filha. Cai no puteiro e enfrentei a vida de fazer sala na casa da luz vermelha. Vi coisas incríveis, mas lutei: paguei minhas dívidas e tentei sair. Fiquei grávida. Passei uma gravidez amargurada, humilhada, massacrada, até pela polícia. Tive a criança que, felizmente, morreu.


            Todos condenam. Se eu ia à cidade visitar minha filha, era vista com maus olhos, em qualquer lugar. Quando chegava na zona, tinha que enfrentar a bebida, homens bêbados, tudo o que era ruim...

            Tentei fugir dali. Fiz de tudo. Fui para outra cidade. Não deu certo: fiquei sem dinheiro. Voltei. Tentei, mas não consegui. Caí de novo na zona até que consegui erguer quatro paredes e cobrir a metade da casa; a outra metade, cobri com um plástico.


            Consigo viver aqui fora porque sou teimosa, porque amo minha filha. Mas até hoje vejo suspeita nas pessoas, enfrento dificuldades, não encontro o apoio que preciso assim como minha vizinhas que, também, foi da zona. Acolho na minha casa outras mulheres da zona e, por isso, econtro barreiras.


            Todos os dias peço a Deus que as pessoas da sociedade dêem oportunidade para as mulheres de lá. Há tanta dificuldade de encontrar emprego! Pelo amor de Deus, pelo amor de Jesus, dêem oportunidade às minhas irmãs da zona para que elas não fiquem mais no fundo do poço, na zona, para que todas tenham oportunidade de viver felizes, em paz, livres da falsidade, livres do desespero!!!"- O Grito de Milhões de Escravas - A cumplicidade do Silêncio - Editora Vozes - Dom José Maria Pires

            Aqui abaixo segue um outro testemunho real transcrito do livro "O Grito de Milhões de Escravas - A Cumplicidade do Silêncio da Editora Vozes:

"MULHER QUE PENSA BEM NUNCA VAI PARA UMA VIDA DESSA!

            Sofri muito na vida. Quando eu tinha 8 anos de diade, meu pai deixou minha mãe para morar com outra mulher. Minha mãe me chamava de biscate porque eu brincava com os colegas. Eu respondia que eu não era biscate, que eu era criança ainda.

            Eu ficava revoltada, revoltada com tudo. Quando fiquei grávida, com quase 16 anos, fui para uma zona de Mato Grosso. Minha mãe me chamava de biscate; então, eu fui ser prostituta mesmo.

            Foi lá que eu conheci o pai do meu filho. Ele me batia, mesmo eu estando grávida, um dia falei para ele assim: "Não me bate não, porque estou grávida; você não está vendo a minha barriga?" Ele me respondeu: "Filho da puta não tem pai"! Ganhei meu filho quando tinha 16 anos e 6 meses. Aí foi uma luta porque eu só tinha minha mãe que tinha que ficar em casa com meu irmão menor e meu filho, para eu poder trabalhar. No mesmo tempo os três: meu filho, meu irmão e minha mãe. Eram as pessoas que eu mais pensava no mundo.

            Meu irmão batia na minha mãe porque queria tirar minha mãe de casa por causa de uma menina como eu, "da vida". Meu irmão bebia muito. Um dia ele chegou e deu duas borrachadas em minha mãe que estava dando mamadeira para o meu filho. Aquilo me doeu muito, foi como se eu mesma tivesse batido nela. Até hoje, ainda me dói, porque ela estava dando mamadeira pro meu filho. Fui pro meu serviço, mas meu irmãozinho veio correndo me chamar: "Corra para casa porque a mãe pôs fogo no crpo". Cheguei em casa: "Mãe, por que a senha fez isso?". O fogo estava chegando no umbigo dela. Rasguei o vestido dela e embrulhei ela com o cobertor do meu filho. Quando tirei o cobertor a pela saiu toda e ela me disse: "Cuida bem do teu irmão e do teu filhinho que mais tarde eles vão servir para você".


            Levei minha mãe pro hospital e comecei a enfrentar as dificuldades. Procurei meus parentes. Minha avó começou a me xingar; meu filho e meu irmão estavam passando fome, e eu lutando com minha mãe no hospital. Eu ia ao serviço do meu irmão e pedia dinheiro pra tirar os documentos de minha mãe para aposentá-la, mas ele me respondeu: "Olha sua puta, sua biscate, não tenho dinheiro para dar, vá embora". Meu irmãozinho dizia: "Vamos embora, diexe este amaldiçoado para lá". Então pedi esmola para poder tirar o retrato de minha mãe para o documento dela. Consegui tudo. Vim de novo na asa de minha avó e pedi ajuda porque estava cansada (saía às 6 horas da manhã e chegava às 8 horas da noite). Meu filho ficava uma semana no hospital e 4 dias comigo, 2 ou 3 semanas no hospital e 4 dias comigo. O leite do meu seio tinha secado porque eu nem comia, eu parecia uma corruirá. Minha avó disse que não tinha obrigação nenhuma de me ajudar. Eu lhe pedi que desse a bênção a meu filho e ela disse que não era avó de nenhum capeta.

      Fiquei apavorada. Cheguei na casa de uma colega e dei meu filho (de 9 meses) e voltei para casa desorientada. Depois voltei três meses na casa dela para buscar meu filho porque eu não era mais ninguém sem meu filho. Ela me tocou para fora da porta da casa dela e sumiu com meu filho.

      Quando eu ficava sabendo que ela tinha ido para certa cidade eu ia pra lá, pagava advogado, mas nada conseguia. Até hoje, vi meu filho só uma vez; assim mesmo, ela me fez jurar que não diria a ele que eu sou a mãe dele. Gastei muito dinheiro com advogado.

      Continuei cuidando de minha mãe que ficou um ano e três meses no hospital. Ela me perguntava de meu filho, mas eu nada contei. Depois ela saiu do hospital e todos os meses eu levava dinheiro para ela. Cheguei a dizer a ela: "Mãe, a senhora me chamava de biscate, mas agora está vivendo do dinheiro que eu ganho vendendo meu corpo".

      Minha avó vendeu minha mãe por 100 réis, para comprar charrete para o gigolô dela. Minha mãe ficou só dois meses na zona, mas, de vez em quando, minha avó tentava buscar minha mãe de novo.

      Quando minha mãe morreu, comecei a bagunçar. O filho, eu já tinha perdido. Sem mãe e sem filho, o que eu esperava da vida? Fumava maconha e tomava bolinha e viajava para todo canto. Uma colega me aconselhou a deixar disso. Quando voltei para minha cidade, passei em frente da igreja e jurei que nunca mais ia pôr tóxico na boca e cumpri.

      Na zona, a gente não vale nada. Os fregueses batem na gente; um chegou até a quebrar a minha perna. A gente não tem valor.

      Se a gente bebe bastante, a dona da casa acha que a gente é boa, mas, se a gente ficar dois dias sem arranjar freguês para beber, a gente é judiada. Tem dona da casa que bate nas inquilinas. Uma vez, uma bateu na minha sobrinha que era de menor e machucou muito. Eu fui dar parte na polícia, mas ela sumiu da cidade.

      As donas de casa só querem saber do dinheiro da inquilina. Elas fazem a gente beber, mesmo doente. Tem vez que o freguês já bebeu bastante e quase não tem mais dinheiro; então, ela manda a inquilina ir para o quarto com ele, sendo que a gente fica só com uma parte porque ainda tem que dar a parte dela.

      Se acontece de um freguês fugir sem pagar, a inquilina tem que pagar tudo a ela. Se a gente quer ir embora, ela segura toda a roupa até a gente pagar o último centavo. Eu já tive móveis, muita roupa. Perdi tudo. Fiquei só com a roupa do corpo.

    
 Tem dona de casa que não dá comida se a gente não arranja freguês que bebe. Para matar a fome, a gente tinha que roubar comida da geladeira. Mesmo quando a gente dá bastante lucro para casa, a comida que a gente tem é muito ruim e a gente mesma tem que cozinhar. Na zona, além de tudo, a gente é empregada da dona de casa. Elas roubam das inquilinas para dar roupas e cigarros para o gigolô delas. Tem dona de casa que manda a inquilina ir para o banheiro com o freguês para ela roubar dele.

      Um dia, uma dona de casa mandou o amigo bater em mim. Uma vez, uma dona de casa me chamou de "filha da puta" quando minha mãe já era morta. Eu me enfezei, bati nela. Fiquei 2 meses sem ir ao bar, mas na primeira vez que pisei lá, ela mandou uma mulher me bater. Quebrei um copo e cortei o braço dela. Fui presa e fiquei um mêsna cadeia. Sofri muita humilhação. Eles cuspiam na cara da gente, aproveitavam da gente; na comida tinha asa de barata e grilo. Nós se vingava amassando as marmitas.

      Tem dona de casa que manda a gente roubar, mas este pecado eu não levo porque nunca roubei um centavo de ninguém.

      Eu sofri muito: ficava doente e não tinha quem me desse remédio. Às vezes, eu estava mal, mas tinha que sair da cama para procurar homem para beber senão a dona da casa ficava brava e queria bater. Na zona a gente sofre: mulher que pensa bem nunca vai para um vida dessa! Os ricos ignoram uma puta. Eles nasceram num berço de ouro; eles não sabem o que é sofrimento, não conhecem a vida real.

    
 Eu ia muito na igreja, mas nunca procurei ninguém para me ajudar, para contra minha vida porque eu era muito revoltada. A gente apanhava muito era de fregueses. Eles só desvalorizam a gente. Na zona a gente não vale nada, nem na hora da morte.

      Arranjei um amigo com quem morei 4 anos. Um dia ele matou um cara. Vendi tudo o que eu tinha para tirá-lo da cadeia mas, quando ele saiu, arranjou outra mulher. Então, o mundo acabou para mim."
- O Grito de Milhões de Escravas - A cumplicidade do Silêncio - Editora Vozes - Dom José Maria Pires

    
 Além de todos os aspectos acima, além destes tristes testemunhos, marcantes, devemos imaginar os milhares de testemunhos semelhantes e muitas vezes piores visto que hoje as prostitutas se viciam, se tornam alcóolatras, são mortas, se adoentam. Quero transcrever uma divisão dos frequentadores de zonas, puteiros, casas de prostituição:

O CARA LEGAL

O DESCONHECIDO

Conversa
Trata bem
Se abre
Choram
Contam seus problemas

Pede desconto
Provoca nojo
Batem
Matam
Viciam as prostitutas
Muitas vezes são idosos


      O Cara Legal - Esta definição é do cara que paga bem ou melhor, conversa, se abre, choram, contam o drama. Logo vem a pergunta: Quem usou a prostituição alheia é um cara legal? Será que alguém que foi lá, tratou bem a prostituta, fez sexo com ela e pagou é um cara legal? Será que isto é ser legal? Aproveitar a fraqueza e prostituição de uma pessoa para explora-lá sexualmente? Você é legal?

    
 O Desconhecido, que pede desconto, que quase sempre provoca nojo nas prostitutas, batem, a violência muitas vezes é algo encutido em suas almas, matam as prostitutas, muitas vezes matam apenas para não pagar, por não ter como pagar, o crime os leva a isto. Entre os desconhecidos existem também os idosos. Será que se não fosse pelo dinheiro, elas jovens e de corpos graciosos se deitariam com eles? Eles, os desconhecidos, são os que viciam as prostitutas.

      
Eu sou contra as novelas das emissoras de televisão, novelas em que a prostituição acaba bem, a prostituta tem dinheiro é feliz a novela toda e fica feliz no final. As novelas que contam casos das "Prostitutas Felizes". Isto é mentira!!!!! Nem tudo são rosas!!!!!

      
A visão do mundo é assim, o marido, pega, vai ao prostíbulo, vai para a zona, sai de lá com sua reputação ilibada, ele é homem. Homem pode. Homem lavou tá novo, o errado é ela, ele não, ele é íntegro, são todas visões maxistas!!!!

  
    Além de tudo hoje em dia existe o tráfico de mulheres, onde as brasileiras são levadas, prostituídas e mortas. Segundo estimativas da ONU, das 500 mil mulheres prostituídas por ano na Europa, 75 mil são brasileiras. Apenas 5% vendem o corpo por opção. As demais são vítimas do mercado tráfico de mulheres.

 
      Mulheres de várias regiões do Brasil são levadas, escravidades, mantidas em cárcere privado, forçadas a ter relações sexuais. Forçadas a usar drogas. Ao chegar na Europa lhe são tomados os Passaportes, não conhecem ninguém. Muitas vezes não sabem o idioma, não sabem onde estão, nem em que cidade estão. As mulheres são proibidas de tudo, passam a pagar a boate, a alimentação, a moradia, tem de pagar multa se ficam grávidas ou pegam alguma doença venérea, são mortas, vendidas, as vezes desaparecem!!!!

      
Um conselho que dá Elizabeth Süssekind: "Desconfiem de tanta bondade, de tanta paixão, de tanto amor repentino. Que desconfiem de empregos maravilhosos. A vida está dura para todo mundo no mundo inteiro”.

      
Um conselho de Giovanni Quaglia: "Dinheiro fácil quase sempre tem uma mentira atrás disso”.

       Prezado Leitor, levante a sua cabeça, siga em frente. Seus braços podem trabalhar, carregar peso, lavar, sua inteligência pode aprender, pode fazer várias coisas. Peça o auxílio a Deus para que te tire desta vida!!!!

      
Prezado Leitor, se não está nesta vida, tenha humanidade!!!! Tenha a humanidade de reconhecer que a prostituta também sofre, também vive, também sente, a prostituta tem amor, chora, sorrir, ama. Ama muito.

      
Uma mensagem a você Prostituta(a) eu quero te falar uma coisa: Jesus te ama, ele te ama muito, te ama muito mesmo, e não quer que continue levar uma vida destas!!!! Ele quer que você mude de vida. Que leve uma vida abundante, cheia do espírito santo, uma vida em comunhão com Deus. Ele quer te falar que ele quer que você saia desta vida, que se encontre com ele!!!!

       Termino, por enquanto, este documento trazendo uma citação de Jesus:
"

- Mulher, onde estão o que te acusavam? Ninguém te condenou?

- Ninguém, Senhor?"

         Disse-lhe então Jesus: "

- Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar" (Jo 8,10-11)



Autor: Daniel Fernando Ribeiro César

Obs: Este texto é resultado de uma pesquisa feita para a apresentaþÒo do programa Unidos na Fé apresentado dia 1/04/2006 através da Rádio Imprensa de Anápolis as 21:00hs



Bibliografia

Alguns trechos retirdos do Livro: "O Grito de Milhões de Escravas - Editora Vozes - 1983"

Alguns trechos da reportagem encontrada em:
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1170449-4005,00.html