Intimidade com Deus – Adriana Fonte

 

“Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade antes que lho peçais (Mt 6.8)”.

O que um pai mais gostaria de ouvir de seus filhos não é exatamente coisas materiais, isso é muito fácil. Como mãe, eu procuro dar tudo aquilo que é possível e que julgo ser necessário para o desenvolvimento físico, mental, social, e espiritual de meus filhos.

“Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem (Mt 7:11)”.

No entanto, nós pais gostaríamos de ver – e com certeza o que eles mais procuram em nós, embora não demonstremos – é uma relação pessoal de amizade, amor, respeito e aceitação. Nosso pai celeste com toda a certeza também sabe o que precisamos, o que é melhor para nós, e tem muito mais prazer em responder aos anseios dos seus filhos. Pois se nós, que somos pais, sabemos do que nossos filhos necessitam e temos o maior prazer em atender, quem dirá Deus.

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele (Pv 22:6)”.

Cabe aos pais ensinarem este caminho aos filhos. Mostrar um relacionamento íntimo com Deus não pelo que Ele pode e tem para oferecer, mas por quem Ele é. Pelo prazer de estarem com Ele em comunhão e amizade. Deus sabe o que necessitamos. E se gozarmos desta comunhão certamente nos atenderá, muito mais que pedimos ou pensamos.

“Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? (Mt 6:33)”.

Ao reconhecermos Deus como um Pai que nos ama e que se preocupa com cada detalhe da nossa vida, certos de que podemos descansar em seu amor e providência, conseqüentemente, aquilo que necessitamos deixa de ocupar o primeiro lugar nas nossas conversas com Deus. Como pais, creio que o que mais gostaríamos de ouvir dos nossos filhos não deve ser exatamente a lista das coisas que precisam, mas de estar com eles, poder amá-los e ser amado, gozar de uma amizade intensa, íntima e pessoal.

“Tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te (Dt 6:9)”.

No versículo que iniciei Jesus aponta para um novo modelo de relação, pela oração. Aqui o assunto das nossas orações não seria mais nós e nossas necessidades, mas Deus e nossa comunhão com Ele. Oramos, não para reivindicar nossas necessidades, mas para demonstrar amor e afeto por nosso Pai. Buscar a vontade do Pai, oferecendo-nos em submissão e obediência para que Ele seja o princípio e o fim de toda a nossa existência. Deus sabe o que necessitamos. Basta reconhecê-lo como Pai para termos certeza disso. A oração não existe para informar a Deus o que Ele já sabe a respeito de nossas necessidades, mas para gozar da alegria de experimentar sua vontade justa e soberana; e, no mais, as outras coisas nos serão acrescentadas. Ou seja, as nossas necessidades passam a ser coisas secundárias, como deve ser numa relação de intimidade com seus filhos. Caso você só escute a voz de seus filhos para te pedirem algo, comece a avaliar que tipo de intimidade tem com seus pequenos.

“Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno (II Pe 3:18)”.

Esta é a fórmula da oração na busca de comunhão e intimidade com Deus. Desta forma devemos ser com nossos filhos. Cultivar o hábito de conversar, seja com Deus, seja sobre as coisas do dia-a-dia, rotinas de escola, trabalho. Permita que seus filhos conheçam a ti como realmente é, sem máscaras, sem rótulos: esse é o caminho para a intimidade. Não deixe que a correria dos afazeres tire esta grande aliada na criação e educação dos filhos, mas procure aproveitar cada segundo de convivência para conversarem, seja iniciando com assuntos rotineiros até os mais profundos.

“Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora (João 6:37)”.

Estar disponível e aberto a qualquer assunto é sempre uma porta aberta para iniciar uma relação confiável de cumplicidade e afeto. E quanto mais cedo você iniciar este processo, mais proximidade vai obter com de seus filhos, assim como com Deus.

“Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade (Sl 127:4)”.

Pois quanto mais proximidade, quanto mais conhecer seus filhos e seus filhos conhecerem a ti, quanto mais um se mostra ao outro, aceitam-se mutuamente, mais intimidade e confiança vão sendo adquiridas. Assim, quando seus filhos forem adultos e começarem a traçar seus próprios caminhos, você terá a certeza de que fez um bom trabalho, porque conhece bem seu rebento e eles a ti, juntos traçarão um caminho que leva a Deus, na busca da intimidade, no conhecimento e jamais se desviarão, pois aprenderam da forma que Deus mais quer de nós, no amor.

“E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor (Ef 6:4)”.

Uma vez eu vi um filme onde o pai se colocava nesta posição, a filha então o contou que seu namoradinho tinha pedido “uma prova de amor”. Este pai na hora respirou fundo, perguntou a filha o que ela estava pensando em fazer, para piorar ela disse que estava pensando. Então ele não se alterou, continuou trabalhando conscientização, dizendo que se ele a amasse não estaria fazendo este tipo de pressão. Até que foi para seu quarto e abafou um grito no seu travesseiro.

“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5:8)”.

No fim ela não se entregou a ele, pensando nas palavras amorosas que o pai falou – fico pensando quantas vezes nosso Pai que está nos céus deve ter feito isso quanto a nós, mas mesmo assim não nos rejeita, está sempre demonstrando Seu amor.

“Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são os pais (Pv 17:6)”.

Que possamos ser testemunhas de Deus na Terra, demonstrando nosso amor por Deus refletindo em nossos filhos, criando na doutrina do Senhor, dando nossa vida como testemunho. Pois é isso que nosso Pai no céu espera de nós.

Aproveito para fazer uma homenagem aos meus pais, que me criaram desta forma, nesta doutrina, que provavelmente devem ter dado muitos gritos nos seus travesseiros e que agora eu devo dar como mãe.

Graça e Paz

Miss.Adriana Fonte

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