Deus e a desigualdade social – Robson Ramos

Deus e a Desigualdade Social

Se Deus existe e é amor, por que eu ganho salário mínimo? Se Ele é justo, por que consente que meu patrão lucre tanto e eu receba tão pouco? Estaria me castigando? Por quê? Essas perguntas já não passam pela mente de milhares de trabalhadores brasileiros, porque, após sofrerem tanta injustiça e exploração, deixaram de acreditar na existência de Deus. Milhões, porém, ainda conservam a fé mas anseiam por respostas a essa questão: Qual a posição de Deus em relação à gritante desigualdade sócio-econômica existente no País?

Nós temos a resposta: “Deus jamais desejou que existissem o sofrimento e a miséria. Nunca foi de Sua vontade que uma pessoa tivesse abundância de luxos na vida enquanto os filhos de outros clamassem por pão.”

As repetidas advertências e repreensões proferidas pelos profetas menores aos líderes de Israel e de outras nações são provas inegáveis da desaprovação divina à injustiça social. “Toda injustiça é pecado.” 1 João 5:17.

É nosso dever anunciar isso ao povo. Se nos calarmos, nosso silêncio será interpretado como silêncio e indiferença de Deus. E os trabalhadores explorados jamais conseguirão acreditar que Deus os amou tanto no passado, providenciando-lhes a salvação por Jesus, o Cristo, uma vez que não há evidências de que Se interessa por eles no presente.

Aos ricos e poderosos, responsáveis por essa injusta realidade, devemos falar do perigo que correm por estar agindo em oposição à vontade de Deus. E não podemos temer-lhes as reações.

Embora estivesse arriscando a própria vida, João, o Batista – que dizemos representar-nos como precursores da segunda vinda de Cristo – não temeu repreender a Herodes por seus pecados “e por todas as maldades que havia feito” (S. Luc. 3:19).

Do mesmo modo agiu Jesus (Naquele mesmo dia chegaram uns fariseus, dizendo-lhe: Sai, e retira-te daqui, porque Herodes quer matar-te. E respondeu-lhes: Ide, e dizei àquela raposa: Eis que eu expulso demônios, e efetuo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia sou consumado. Importa, porém, caminhar hoje, amanhã, e no dia seguinte, para que não suceda que morra um profeta fora de Jerusalém. (Lucas 13:31 e 33).

Ele ordenou aos ricos que partilhassem seus bens com os pobres e condenou os poderosos porque dominavam e exploravam o povo. Disse que a maneira correta de exercer o poder era aquela ensinada e vivida por Ele: o serviço desinteressado. Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos. (Mateus. 20:25-28.)

“Nos reinos do mundo, a posição implicava em engrandecimento próprio. Supunha-se que o povo existia para benefício das classes dominantes. Influência, fortuna, educação eram outros tantos meios de empolgar as massas para proveito dos dirigentes. As classes mais altas deviam pensar, decidir, gozar e dominar; às mais humildes cumpria obedecer e servir…

…Cristo estava estabelecendo um reino sobre princípios diversos. Chamava os homens, não à autoridade, mas ao serviço, os fortes a sofrer as fraquezas dos fracos. Poder, posição, talento e educação colocavam seus possuidores sob maior dever de servir aos semelhantes.” – O Desejado de Todas as Nações, pág. 524.

E foi por essa mensagem “revolucionária” que Ele, como João Batista, foi morto. Estaríamos nós dispostos a pagar esse preço?

– texto de autoria de Robson Ramos, texto publicado na Revista Adventista, no mês de novembro 87, pág. 2.

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