sexta-feira , 25 Maio 2018

As 7 Cartas de Jesus que deixa as 7 igrejas da Asia

cartas de jesus

As 7 cartas de Jesus que deixou às 7 igrejas da Ásia.

(Apocalipse Cap. 2 e 3)

O livro de Apocalipse foi escrito pelo Apóstolo João na Ilha de Patmos (Grécia hoje) em aproximadamente 96 d.C.. Jesus ordenou a João que escrevesse o que viu em um livro e enviasse às 7 igrejas. Mandou 7 cartas, uma para cada igreja.

É da opinião de alguns que estas cartas foram escritas antes do corpo principal do livro e foram enviadas separadamente às diferentes igrejas; mais tarde foram ampliadas e compiladas a fim de todas as igrejas tirarem proveito. A teoria não impossível, porém é duvidosa, pois as cartas estão intimamente relacionadas com o início e o fim do livro; e, se eliminarem as passagens em apreço, o que restar constituirá mensagens bem abrutas. Cada carta se endereça ao “anjo” da igreja e começa com uma descrição de Cristo, tirada da visão introdutória, tendo os pormenores que se mencionam especial relevância à igreja sob consideração. A designação de Cristo na carta aos Laodicenses constitui uma exceção, sendo uma reminiscência da saudação com que o Apocalipse começa. Semelhantemente, cada carta conclui com uma promessa no tocante a galardões a serem distribuídos no segundo advento; de modo geral, estas promessas tem uma especial aptidão para cada igreja individualmente. E é-lhes dada uma encarnação visionária nos capítulos finais do livro.

As cartas tem, também, um sentido profético: São os tempos que a igreja de Cristo viveria até a sua segunda vinda, o que coincide com os tempos que passamos depois de Cristo até os dias de hoje, ou seja, a história da igreja de Cristo.

Em cada carta, Jesus fala a respeito de:

1 – Jesus se apresenta;
2 – Jesus destaca as virtudes da Igreja;
3 – Jesus destaca as fraquezas da Igreja;
4 – Jesus faz promessas aos vencedores.

Eu, João, irmão vosso e companheiro convosco na aflição, no reino, e na perseverança em Jesus, estava na ilha chamada Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia. (Ap 1.9-11).


Éfeso
Esmirna
Pérgamo
Tiatira
Sardes
Filadélfia
Laodicéia

 

 


Éfeso

 

A carta:
Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro: Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua perseverança; sei que não podes suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos; e tens perseverança e por amor do meu nome sofreste, e não desfaleceste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres. Tens, porém, isto, que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus. (Ap 2.1-7).

Destinatário:
Éfeso era a maior cidade da Ásia e o centro da administração romana daquela província. Tomou o título de “Guardiã do Templo”, originalmente em referência ao famoso templo de Ártemis, posteriormente, porém estende-se aos dois ou três templos devotados ao culto dos imperadores. Paulo fundou aqui a igreja que se tornou o centro para a evangelização do resto da província e aqui residia o apóstolo João. A igreja em Éfeso, consequentemente, deve ter-se tornado a principal do leste, com a possível exceção de Antioquia.

A designação de Cristo em vers. 1, tanto é um encorajamento como é uma advertência. As sete estrelas estão na sua mão (isto é, Ele mantém a vida espiritual delas), e a sua presença é coextensiva a todas as igrejas. Mas o poder que sustém é também competente para a remoção judicial; assim o título prepara o ouvinte para o vers. 5. Eu sei (2) declara uma verdade de semelhante importância dupla. A frase encabeça cada uma das sete cartas, ora proporcionando conforto (2.9, 2.13, etc.), ora envergonhando (3.1, 15). Aqui ela precede uma recomendação. As obras dos efésios são trabalho e paciência (2); aquela se manifesta nos esforços para vencer os falsos mestres (2), esta na resignação paciente frente à oposição, quer dos falsos apóstolos, quer de outras fontes (3). Os maus são aqueles que se chamam profetas e não o são. Comparar predições de Paulo em At 20.29, 30; 1Tm 4.1-3. É possível que os principais ofensores sejam os nicolaítas mencionados no vers. 6.

A falta dos efésios é talvez a perversão de sua principal virtude; sua oposição aos falsos irmãos os conduzia a repreensão e dissensão dentro da igreja, levando-as assim a deixar o seu primeiro amor. Isto interpretaria o “amor” a que se faz referência como sendo o amor fraternal. Pode, contudo, se referir ao amor a Deus; compare Tg 2.2-5, visto que uma manifestação deste amor é impossível sem a outra, podemos talvez incluir ambas em nosso texto (cfr. Mc 12.30-31 com 1Jo 4.20). Brevemente a ti virei (5) significa que o Senhor “virá” numa visitação de juízo. Ver também 2.16. Um exemplo da sua “vinda” em bênção se acha em 3.20. Tais afirmações de maneira nenhuma entram em choque com a verdade de sua vinda final, fato este que os teólogos não têm sempre reconhecido quando falam da “vinda” de Cristo ao crente e dos seus “adventos” na história, como se o reconhecimento desses aparecimentos secundários de algum modo invalidassem a verdade do aparecimento supremo.

Os nicolaítas eram julgados logo cedo como adeptos de Nicolau de Antioquia, um dos sete (At 6.5). Deduzimos de 2.14-15 que eles mantinham o mesmo erro que os balaamitas, a saber: ensinar a comer coisas sacrificadas aos ídolos e a adulterar. Foram estas as principais matérias condenadas por decreto do concílio apostólico (At 15.29). É notável que os nomes de Balaão e Nicolau são cognatos (Balaão – “Ele tem consumido o povo”; Nicolau – “Ele vence o povo”). Se este ensino foi tão energicamente repelido pelos efésios (vers. 2), concluímos que se espalhava muito. A injunção: Quem tem ouvidos… (7) repete-se em conexão com as promessas ao vencedor em todas as sete cartas. Está frequentemente nos lábios do nosso Senhor através dos quatro Evangelhos (Mt 13.9, 43, etc.).

O Espírito é o Espírito Santo, se bem que o orador seja Cristo. Para semelhante fenômeno comparar Rm 8.9-11 e 2Co 3.17, “Vencedor” retrata o cristão como fiel batalhador de Cristo, “membro da igreja militante, vitorioso, não obstante as circunstâncias”. Parece haver pouca justificativa em limitar o termo, como queriam alguns, somente aos mártires, ainda que seja verdade que o vencedor só pode demonstrar sua vitória absoluta sendo fiel até a morte.

Comer da árvore da vida (7) é participar da plenitude da vida eterna; a árvore se encontra “no meio do paraíso de Deus”, a Jerusalém celestial, que deverá, manifestar-se na terra para o homem redimido (ver 21.10, 22.2). As bênçãos da primeira criação, perdidas pelo homem, serão restauradas em escala ainda maior na “regeneração” (Mt 19.28).

O cumprimento das eras históricas:
Fim da idade apostólica – Igrejas ativas, que enfatizam em demazia a ortodoxia, mas carecem de fervor espiritual. (Bíblia Thompson, 4337 – Pág. 1476).

A Igreja na era apostólica
Desde a pregação de Estevão, até a morte de João
(do ano 35 ao 100 d.C.)

Quando se iniciou este período a igreja proclamava o Evangelho unicamente à cidade de Jerusalém e a seus arrabaldes. Quando terminou, a igreja estava estabelecida na Síria, na Ásia Menor e na Europa.

Foi neste período que surgiu, em Jerusalém, uma crítica acerca dos critérios utilizados na distribuição dos auxílios aos pobres, pois as famílias dos judeus-gregos ou helenistas sentiram-se prejudicadas. Os apóstolos convocaram a igreja e escolheram sete homens que seriam administradores desta parte material. Dentre estes sete está Estevão, o primeiro mártir da neo-igreja, e também se destaca Filipe, que foi um dos grandes evangelistas da época, estabelecendo igrejas em Samaria, na faixa de Gaza, Jope e Cesaréia.

Após a morte de Estevão, a perseguição fez quase todos os cristãos de Jerusalém dispersarem-se. Todavia, por onde passavam pregavam o Evangelho, e estabeleciam igrejas.

Um dos maiores perseguidores dos cristãos, Saulo de Tarso, converteu-se e, com a ajuda de Barnabé, foi introduzido no meio apostólico. Barnabé foi a Tarso e buscou a Paulo para ajudá-lo na ministração da igreja de Antioquia da Síria. A igreja foi proeminente de tal forma que ali os discípulos de Jesus foram chamados pela primeira vez de cristãos.

De Antioquia, Paulo e Barnabé partiram para o mundo conhecido, estabelecendo igrejas na llha de Chipre, na Psídia e na Licaônica.

A expansão alcançada pela Igreja desde a pregação de Estevão e o estabelecimento de igrejas em várias localidades levantou uma questão polêmica na comunidade cristã.

Os cristãos judeus conservadores sustentavam que não poderia haver salvação fora de Israel. Por outro lado, os progressistas como Paulo, Barnabé, Pedro e Tiago eram de parecer favorávei, pelas evidências que tinham, de que também aos gentios era chegada a salvação, sem a observância dos ritos judaicos.

O concílio convocado em Jerusalém, em 50 d.C., resolveu a questão, decidindo que a Igreja não seria exclusividade dos judeus, e abriria suas portas para o mundo inteiro, sendo favorável ao estabelecimento de igrejas entre os gentios.

A igreja entre os gentios

Só podemos contar com o livro de Atos dos Apóstolos, as epístolas paulinas e os versículos iniciais da 1ª epístola de Pedro, para saber o que ocorreu nos vinte anos seguintes ao Concílio de Jerusalém.

A Igreja alcançou o império romano, que incluía todas as províncias das margens do Mar Mediterrâneo e alguns países do leste.

De todos os dirigentes que se destacaram naqueles primeiros anos, Paulo foi o mais proeminente. Ele foi o grande missionário da Igreja do primeiro século: evangelizou a Ásia Menor, Palestina, Europa, ilhas do Mar Mediterrâneo e alguns países do leste.

No final de seu ministério, preso em Roma, Paulo gozou de alguma liberdade. Há quem diga que ele conseguiu chegar na Espanha, onde desejava abrir trabalhos. Em 68 d.C. Paulo foi decapitado.

Outros dois grandes evangelistas do primeiro século foram Pedro e Tiago. Ambos foram martirizados também.

A expansão do cristianismo era muito grande. Desde Tibre, em Roma, ao Eufrates, na Mesopotâmia; desde o Mar Negro até o norte da África, e alguns crêem que se estendia até a Espanha e a Inglaterra.

A era sombria

Após o martírio de Paulo, até ao final do primeiro século, o período é chamado de ”era sombria”, porque pouco sabemos a respeito dele, além de ser um período de grandes perseguições.

Em 70 d.C. Jerusalém caiu nas mãos do general romano Tito, e foi literalmente destruída e incendiada. Isto foi o culminar da rebelião judaica, que começou em 66 d.C., contra a opressão e o domínio romano.

Os cristãos porém, praticamente não morreram nesta época, pois se refugiaram em Pela, no vale do Jordão, obedientes a profecia de Cristo.

O efeito mais claro foi o fim das relações entre o cristianismo e o judaismo.

Em 90 d.C., o imperador Domiciano iniciou uma nova perseguição aos cristãos, na qual milhares de cristãos foram mortos, em Roma e em toda Itália. Nesta época o apóstolo João foi preso e exilado na ilha de Patmos, onde teve a revelação do Apocalipse, morrendo em 100 d.C.

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Esmirna

 

A carta:
Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto e reviveu: Conheço a tua tribulação e a tua pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são sinagoga de Satanás. Não temas o que hás de padecer. Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que vencer, de modo algum sofrerá o dado da segunda morte. (Ap 2.1-7).

Destinatário:
Esta cidade era uma das mais prósperas na Ásia Menor e tomou o nome de “Metrópole”. Ali os judeus constituíam uma colônia excepcionalmente numerosa e próspera; seu antagonismo à igreja cristã, aparece, não somente nesta carta, mas também na de Inácio aos esmirnenses.

O título dado a Cristo (8) reaparece em 1.17. Esta igreja, prestes a ser severamente provada, necessitava relembrar que o seu Salvador era o Senhor da história e conquistador da morte (cfr. vers. 10).

Contrastar a condição dos cristãos em Esmirna com a riqueza material e a pobreza espiritual dos laodicenses (3.17). A blasfêmia dos judeus (9) seria dirigida principalmente contra Jesus, mas eram capazes de blasfemar mesmo contra o Deus que eles confessavam. Os cristãos de Esmirna mais tarde relataram como os judeus se aliaram aos pagãos em reivindicarem a morte de Policarpo, Bispo de Esmirna, na base de sua oposição à religião estatal. Desse modo, em vez de constituírem uma assembléia de Deus, eles haviam-se tornado a sinagoga de Satanás (9; ver também 3.9). Uma vez que se nega que os judeus tivessem o direito de manter o seu nome nacional, torna-se evidente que os cristãos se consideram os legítimos herdeiros de Abraão, como em Rm 2.28.

As coisas que esses crentes brevemente têm de sofrer podem ter relação com a oposição dos judeus. Tal aflição terá a duração de dez dias (10), isto é; um período abreviado. As vezes acredita-se ser idêntico à “grande tribulação” de 7.14, mas parece mais provável ser alusão a uma perseguição local. O diabo (“caluniador”) será, então o agente utilizado para provar os cristãos; tal provação por meio de perseguição se distingue da que se menciona em 3.10, onde lemos da hora da tentação que deverá vir sobre o mundo inteiro, pois desta última os cristãos serão preservados (cfr. 7.2, 12.6). A coroa da vida (10) alude-se à grinalda conferida ao vencedor nos jogos, “a coroa que consiste de vida”. Swete lembra que a coroa não é diadema, mas o emblema de festividade, nesse caso a grinalda é um apto símbolo de vida, pois esta última tem que ser compreendida à luz das descrições finais do livro, uma vida de sagrado privilégio, gozo e de galardões destinguidos (1Co 9.25, 27). A segunda morte (11). Em 21.8 define-se como “o lago que arde com fogo e enxofre”. É uma frase rabínica; comparar o muito citado Targum de Jerusalém sobre Dt 33.6, “Que viva Rúben nesta época e não morra a segunda morte de que morrem os injustos no mundo vindouro”.

O cumprimento das eras históricas:
Os primeiros séculos de perseguição – Igrejas missionárias e outras, que padecem perseguição. (Bíblia Thompson, 4337 – Pág. 1476).

A Igreja perseguida pelos Imperadores
Desde a morte de João, até o Edito de Constantino
(do ano 100 ao 313 d.C.)

A característica maior do segundo e terceiro séculos foi a perseguição ferrenha que a igreja sofreu, e no quarto século ela durou até o ano 313 d.C., quando o imperador Constantino proclamou o Edito de Tolerância, acabando com a perseguição aos cristãos e iniciando um período em que a Igreja e o Estado andaram juntos por longo tempo.

A idolatria estava arraigada no povo de tal forma que era difícil o convívio dos cristãos com o povo pagão. Por outro lado, os cristãos apresentavam a Jesus como seu rei e Senhor, contrariando o culto ao imperador romano, que era apresentado como deus. Isto tudo fomentou as perseguições aos cristãos, que não eram vistos com bons olhos, tanto pelo povo como pelos governantes.

Devido as perseguições, os cristãos se reuniam secretamente, despertando desconfiança, por isso foram considerados como conspiradores e revolucionários.

Outra situação desfavorável aos cristãos era que entre os crentes não havia diferença social, ao ponto de até um escravo ter a possibilidade de ser bispo. Esta igualdade não era bem vista pela população nobre daquela época.

Até o ano 313 d.C. a religião cristã era proibida e os crentes eram considerados foras-da-lei. Estas perseguições não foram constantes, elas vieram em várias fases e tinham pequenos períodos de calma.

A última, a mais sistemática, e a mais terrível de todas as perseguições deu-se no governo de Diocleciano, de 284 a 305. Em uma série de Editos determinou que todos os exemplares da Bíblia fossem queimados. Ordenou, também, que os templos fossem destruídos e exigiu-se que todos renunciassem ao cristianismo e à fé. Aqueles que não o fizessem, perderiam a cidadania romana, e ficariam sem a proteção da lei.

Em alguns lugares os cristãos eram encerrados nos templos e depois ateavam-Ihes fogo. Entretanto, setenta anos depois, o cristianismo era a religião oficial do império.

Apesar das perseguições, efetuaram-se grandes progressos no campo da organização e vida da comunidade cristã.

Um dos efeitos das perseguições a igreja foi a sua purificação, pois elas mantinham afastados todos aqueles que não eram realmente convertidos, e a igreja se multiplicava e crescia com rapidez assombrosa. Ao findar este período de perseguição, a igreja era suficientemente numerosa para constituir a instituição mais poderosa do império.

Formação do cânon do Novo Testamento

Pouco tempo antes do início do segundo século, foram reunidos os escritos do Novo Testamento. Entretanto, somente mais tarde é que foi formado o cânon do Novo Testamento, como o temos hoje. E não ocorreu sem grandes discussões, pois nem todos os livros eram aceitos como autênticos ou inspirados. Alguns deles como Hebreus, Tiago, 2ª Pedro e Apocalipse eram aceitos no Oriente, porém foram recusados pelo Ocidente, por muito tempo. De outra forma, muitos livros, que hoje não são aceitos como canônicos, eram lidos no Oriente.

O crescimento e a expansão da igreja foram as causas da organização e da disciplina. A perseguição aproximou as pessoas umas das outras, e exerceu influência para que elas se unissem e se organizassem. Uma outra característica deste período é o desenvolvimento da doutrina. Nesta época a fé era mental, do intelecto, que acreditava em um sistema rigoroso de doutrinas. Era dada mais ênfase a forma da crença do que a vida espiritual íntima.

O aparecimento de seitas e heresias

Juntamente com o desenvolvimento da teologia, desenvolveram-se as heresias na igreja cristã. Os cristãos do segundo e terceiro séculos não só lutaram contra as perseguições, mas também Iutaram contra as heresias e doutrinas corrompidas, dentro da igreja.

As doutrinas gnósticas não são de fácil definição por serem demasiadamente variadas. Surgiram na Ásia Menor, e eram como que um enxerto do paganismo no cristianismo.

O ebionismo era praticado pelos judeus-cristãos pobres, que consistia na observância da lei e dos costumes judaicos. Rejeitaram as cartas paulinas porque elas põem em pé de igualdade tanto judeus como gentios.

O maniqueismo é de origem persa, e foi fundado por Mani, que foi morto em 276 d.C., por ordem do govemo persa. Seus ensinos enfatizaram que o Universo compõe-se do reino das trevas e do reino da luz, e ambos lutam pelo domínio da natureza e do próprio homem. Criam em um Cristo celestial, porém rejeitavam a Jesus.

O montanismo, fundado por Montano, pregava a exigência de que tudo deveria voltar a simplicidade dos primitivos cristãos. Criam no sacerdócio de todos os verdadeiros crentes, e não nos cargos do ministério.

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Pérgamo

 

A carta:
Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois gumes: Sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; mas reténs o meu nome e não negaste a minha fé, mesmo nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. entretanto, algumas coisas tenho contra ti; porque tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, introduzindo-os a comerem das coisas sacrificadas a ídolos e a se prostituírem. Assim tens também alguns que de igual modo seguem a doutrina dos nicolaítas. Arrepende-te, pois; ou se não, virei a ti em breve, e contra eles batalharei com a espada da minha boca. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe. (Ap 2.12-17).

Destinatário:
Pérgamo era descrita por Aretas como “dada à idolatria mais do que toda a Ásia”. Atrás da cidade situava-se uma colina, mais de 300 metros de altitude, coberta de templos pagãos. Entre eles o mais destacado de todos era o grande altar de Zeus, colocado sobre uma plataforma, esculpido na rocha, dominando a cidade. O culto ao imperador foi estabelecido ali primeiro que em Éfeso ou Esmirna, de sorte que posteriormente, Pérgamo se tornou o reconhecido centro do culto na Ásia. Daí dizia-se desta igreja, que habitava onde está o trono de Satanás (13). Este fator explicava a causa das dificuldades peculiares dos cristãos de Pérgamo.

O título no vers. 12 tem eco em 1.16 e antecipa 2.16. A minha fé (13) abrevia “fé em mim”. A informação dada sobre o ensino de Balaão é tirada dos dois trechos, Nm 25.1- 2 e 31.16. O cristão que correspondia a Balaão provavelmente desprezava a carne, e deste modo descontava a importância da pureza física, justificando suas ações talvez, pela perversão do ensino de Paulo (repudiado por este em Rm 3.8 e 6.1). “Permaneçamos no pecado, para que abunde a graça”. O sentido de vers. 15 é ou, “Vós também tendes entre vós os nicolaítas, que vos ensinam assim como Balaão ensinava a Israel”, ou “Vós também, como os efésios (6), tendes convosco os nicolaítas”, sendo implícita a comparação com Balaão. Parece preferível aquele sentido. O vers. 16 apresenta a “vinda preliminar” de Cristo para o juízo se os pergamenses não se arrependerem. Ver 2.5 n. Aqui o maná (17) tipifica a vida espiritual, assim como “água da vida” e “fruto da Árvore da vida” (22.17, 19). A promessa é especialmente apta para os que eram tentados a participar de festividades em que se comiam alimentos sacrificados aos ídolos. Abstendo-se dessas iguarias, os cristãos podiam antecipar um banquete mais farto no reino de Deus.

A pedra branca (17) e de difícil interpretação devido aos diversos fins para os quais seixos foram empregados pelo mundo da antiguidade, cada um dos quais dava um excelente sentido simbólico. Assim uma pedra branca entregue por um júri significava ao réu sua absolvição, uma preta, culpabilidade. O seixo do vencedor outorgava-lhe ingresso a todas as festividades públicas. O tessern hospitalis estava em duas partes, inscritas com dois nomes cujos donos trocaram partes de maneira que cada pessoa tinha um convite aberto para a casa da outra. O Sumo Sacerdote levava doze pedras no seu peitoril inscritas com os nomes das doze tribos de Israel. Isto de modo nenhum exaure todas as possíveis interpretações. A nossa interpretação será, em parte condicionada na nossa compreensão do novo nome escrito na pedra. Se o nome é de Cristo ou de Deus (cfr. 3.12 e 19.12), então pode haver uma alusão ao conceito do poder inerente ao nome de Deus; o cristão participa do poder de Deus e apropria para si de um modo que nenhum outro o pode fazer. Se o nome é um novo nome conferido ao crente, então a alusão é ao hábito de conferir novos nomes às pessoas que atingiram um novo estado, como Abrão e Jacó se tornaram Abraão e Israel; a pedra branca então significa o direito do vencedor de entrar no reino de Deus em um caráter todo próprio, moldado nele pela graça de Deus.

O cumprimento das eras históricas:
A época de Constantino, prosperidade temporal – Igrejas sustentadas pelo governo. (Bíblia Thompson, 4337 – Pág. 1476).

A Igreja unida ao Império Romano
Desde o Edito de Constantino, até a queda de Roma
(do ano 313 ao 476 d.C.)

Depois da abdicação de Diocleciano, no ano 305 d.C., quatro aspirantes a coroa estavam em guerra. Os dois mais poderosos rivais eram Maxêncio e Constantino. Constantino era favorável aos cristãos e em 313, já como imperador, proclamou o Edito de Tolerância, que terminou, oficialmente, com a perseguição.

Ele uniu a igreja ao Estado, o que trouxe alguns benefícios e alguns prejuízos.

Os benefícios foram:
a) Cessaram as perseguições;
b) A crucificação foi abolida;
c) O infanticídio foi reprimido;
d) Foram proibidas as lutas dos gladiadores;
e) O tratamento aos escravos tornou-se mais humano;
f) Os templos foram restaurados e novamente abertos em toda parte;
g) Muitos templos pagãos foram transformados em templos cristãos;
h) O primeiro dia da semana foi proclamado como dia de adoração e descanso;
i) Os donativos públicos que eram entregues para a manutenção dos templos pagãos foram repassados para a manutenção dos templos cristãos;
j) Ainda que tolerada a adoração pagã, os sacrifícios oficiais foram cessados;

Os prejuízos foram:
a) Todos queriam fazer parte da igreja. Com isso mesclaram-se os bons e os maus, os sinceros e os hipócritas, homens mundanos e ambiciosos, que queriam utilizar-se da igreja para tirar proveito próprio. Por causa dessa mistura o nível do cristianismo baixou.
b) Os cultos de adoração aumentaram em esplendor, mas também diminuíram em espiritualidade;
c) Pouco a pouco foram introduzidos ritos e cultos pagãos no seio da igreja;
d) Com a ascensão da igreja ao poder vê-se mais o mundo transformando a igreja do que a igreja transformando o mundo.

A divisão do Império Romano repercute na igreja

Devido a posição estratégica, Constantino transferiu a capital do império para Constantinopla, cidade construída por ele para esse fim, sobre uma outra cidade chamada Bizâncio, na Turquia.

Na nova capital não havia templos pagãos, mas não tardou para que se edificassem várias igrejas. A maior de todas ficou conhecida como de Santa Sofia – Sabedoria Sagrada, edificada por ordem de Constantino. Durante onze séculos foi considerada como a catedral do cristianismo, até que em 1453, quando a capital foi tomada pelos turcos, ela foi transformada em mesquita, assim permanecendo até depois da 2ª Grande Guerra.

O bispo de Constantinopla passou a chamar-se de patriarca, e vivia em harmonia com o imperador. A igreja era honrada e considerada, mesmo que solapada de sua autoridade pela do trono.

O fato mais notável nesta época foi a transformação rápida de um vasto império pagão em cristão. Apesar de Constantino ter sido tolerante com os pagãos, os seus sucessores não o foram, e usaram da opressão para convertê-los ao cristianismo.

Assim que terminou o campo de batalha quanto à conversão, começou outro quanto às controvérsias do pensamento dentro da igreja, que estava cercada de doutrinas.

A primeira controvérsia foi acerca da doutrina da Trindade, onde Ário, presbítero de Alexandria (318 d.C.) tinha ensinado que o nosso Senhor fora criado por Deus como qualquer outro ser, sujeito ao pecado e ao erro, e que, por consequência, não seria eterno como o Pai. Atanásio, diácono na época, foi acérrimo defensor da verdade e ativo antagonista das malévolas intenções dos arianos.

A controvérsia gerou a Assembléia de Nicéia, na Bitínia, que resultou na célebre confissão de fé, conhecida como o Credo de Nicéia, na qual está clara e inteiramente anunciada a doutrina das Escrituras Sagradas com referência a divindade do Senhor.

Outra controvérsia, e a mais prolongada, foi acerca da doutrina da Salvação e do Pecado. Teve origem com Pelágio, monge da Grã-Bretanha, que negou a corrupção total da raça humana pela transgressão do primeiro homem, e ensinava que o pecado de Adão prejudicou a ele somente, e não ao gênero humano. Foi combatido por Agostinho. O Concílio de Cartago (418 d.C.) condenou a doutrina de Pelágio, e a teologia de Agostinho tornou-se regra ortodoxa da igreja.

Com a implantação do cristianismo em todo o império, o mundanismo também entrou no seio da igreja. Muitos, que anelavam por uma vida mais espiritual, estavam descontentes com os costumes pagãos da igreja, e se afastavam mais da multidão. Retiravam-se para cultivar a vida espiritual, através da meditação, da oração e de costumes ascéticos. Começou o monasticismo, que se espalhou lentamente por toda a Europa e por toda a Ásia e África.

Este período da história da igreja caracterizou-se pela briga ou disputa do primado sobre a igreja. Roma tinha a pretensão de dominar as igrejas do império, porém as igrejas do Oriente não aceitaram tal controle.

Depois que Constantino transferiu a sede do governo para Constantinopla, o bispo de Roma passou a ser a autoridade máxima da igreja naquela metrópole. Como não queria ceder o governo sobre a igreja, tentou por todos os meios Dominar as igrejas orientais.

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Tiatira

 

A carta:
Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente: Conheço as tuas obras, e o teu amor, e a tua fé, e o teu serviço, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras. Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com ela, se não se arrependerem das obras dela; e ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas obras. Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei; mas o que tendes, retende-o até que eu venha. Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com vara de ferro as regerá, quebrando-as do modo como são quebrados os vasos do oleiro, assim como eu recebi autoridade de meu Pai; também lhe darei a estrela da manhã. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito dia às igrejas. (Ap 2.18-29).

Destinatário:
Tiatira era a menor das sete cidades. Não tinha nenhum templo devotado ao culto dos imperadores, de sorte que os cristãos não eram tão perturbados por aquele culto como as igrejas precedentes. O problema desta igreja centralizava-se nas situações comprometedoras criadas pelos interesses comerciais. Tiatira era uma cidade industrial, célebre pelos seus muitos grêmios comerciais. Era tão necessário unir-se a essas sociedades como é para o artesão hodierno, ser membro do seu determinado sindicato comercial; de outra forma, envolvia um ostracismo que tornaria quase impossível seu negócio. A dificuldade no caminho do cristão que se unia a tais grêmios era a necessidade de participar das periódicas refeições comuns quando se comia carne que fora dedicada à deidade pagã (talvez o padroeiro do seu grêmio). Pode-se entender que certos cristãos liberais não hesitariam em participar de tais festividades, alegando que “um ídolo não é nada” (1Co 8.4). Logo, a desculpa podia achar-se pela licenciosidade em que muitas vezes estas refeições culminavam; e o próximo passo seria participar da devassidão geral. Isto era geralmente aconselhado pelos nicolaítas, e pode-se entender como isto encontrava fácil aceitação em Tiatira, onde a frase “negócio é negócio” seria bem aceita. O título provém de 1.14, 15, Filho de Deus (18) sendo talvez sugerido por Sl 2.7, uma vez que este salmo posteriormente é muito citado. Note-se que os olhos como chama de fogo antecipam o vers. 23, e os pés reluzentes, o vers. 27. Charles alega que as tuas obras (19) são definidas pelas qualidades que se seguem, “o teu amor, o teu serviço, a tua fé e a tua paciência” se esta interpretação é correta, é importante no esclarecimento do que o escritor quer significar com a expressão “julgado segundo as obras” (20.12-14). A profetiza que propaga o ensino dos nicolaítas é simbolicamente chamada Jezabel, pois a rainha daquele nome tentou estabelecer um culto idólatra em lugar do culto a Jeová e ela mesma foi acusada de prostituição e feitiçaria (2Reis 9.22). Note-se a inserção curiosa em alguns manuscritos de “tua mulher Jezabel” que implica ser o “anjo” da igreja, o seu administrador. No vers. 21 deduzimos que “Jezabel” anteriormente tinha sido advertida, sem resultado, ou por João ou por algum outro líder cristão. A “cama” em que Jezabel seria prostrada corresponde à grande tribulação (22), de sorte que é uma cama de sofrimento que está em mente aqui. É possível que aqueles que com ela adulteram (22) devem ser distintos dos seus filhos (23), no sentido que aqueles foram suficientemente influenciados por Jezabel, a ponto de comprometerem a sua lealdade cristã, enquanto estes abraçaram inteiramente a sua doutrina; aqueles deveriam ser castigados, estes exterminados. Por tais juízos as igrejas reconhecerão que Cristo sonda os rins e os corações (23) . No uso hebraico, os rins são a sede das emoções, enquanto o coração é a sede do intelecto. As profundezas de Satanás (24) podem ser uma alusão satírica à pretensão gnóstica de conhecer exclusivamente as profundezas de Deus. Tal sabedoria não é divina, mas satanicamente inspirada. De outra forma, reflete o ensino nicolaíta que o cristão deve participar afoitamente dos excessos do paganismo e demonstrar que é imunizado de sua poluição. Os cristãos que assim procederam gabaram-se do seu conhecimento das profundezas de Satanás e, assim, desdenharam os seus irmãos mais escrupulosos. Para outra carga comparar At 15.28-29; os dois preceitos principais do concílio apostólico foram abstenção de coisas sacrificadas aos ídolos e ao adultério. O vencedor aqui se define como o que guardar até ao fim as minhas obras (26). Ele deverá receber uma delegação da autoridade de Cristo sobre as nações (26) e participar do seu triunfo sobre os povos rebeldes (27); esta função faz parte daquela autoridade e antecipa a vinda de Cristo para o juízo (19.11) e não o reino milenário, propriamente dito (20.4-6). O verbo traduzido “regerá” no vers. 27 deve ser “destruirá”. A estrela da manhã (28) parece ser o próprio Cristo (como em 22.16); maior do que o privilégio de reinar por Cristo será o irrestrito gozo de plena comunhão com Ele.

O cumprimento das eras históricas:
A época da apostasia papal – Desenvolvimento de numerosas seitas novas. (Bíblia Thompson, 4337 – Pág. 1476).

A Igreja no período medieval
Desde a queda de Roma, até a queda de Constantinopla.
(do ano 476 ao 1453 d.C.)

O fato mais notável nos dez séculos da Idade Média foi o desenvolvimento do poder papal. O bispo de Roma afirmava ser ”bispo universal”, e chefe supremo da igreja. Agora, neste período, o vemos reclamando a posição de governante de nações, acima de reis e de imperadores. Este desenvolvimento teve três períodos:

1. Crescimento – começou com o pontificado de Gregório I, o Grande, e teve o apogeu no tempo de Gregório Vll, mais conhecido por Hildebrando. Foi zeloso defensor do absolutismo papal, e repetidamente, denominou-se “soberano dos reis e príncipes”.

2. Culminância – Foi entre os anos de 1073-1216, cerca de 150 anos em que o papado exerceu poder quase absoluto, não somente na igreja, mas também sobre as nações da Europa. Nesse período viveu Inocêncio lll, o papa mais poderoso. Declarou-se soberano supremo da Igreja e do mundo, com o direito de depor reis e príncipes, e que todas as coisas na terra, no céu e no inferno estão sujeitas ao “vigário de Cristo”. Levou a Igreja a sobrepor-se ao Estado. Em sua famosa bula “Unam Sanctam” disse: “Declaramos, afirmamos, definimos e pronunciamos que é, absolutamente, necessário para a salvação, que toda a criatura humana se sujeite ao Romano Pontífice”.

3. Decadência – A decadência do poder papal começou com Bonifácio Vlll, em 1303, quando a Europa saía do crepúsculo da Idade Média, e a lealdade nacional se levantou para competir com a eclesiástica. Um sentimento nacionalista e um espírito de independência tomaram corpo no meio do povo francês, em consequência, em parte, do massacre brutal dos albigenses franceses, e Filipe, o Belo, rei da França, que se tornara o monarca líder da Europa, assumiu a luta contra o papado a propósito do imposto lançado sobre o clero francês, submetendo-o completamente ao Estado, e removendo a sede pontifícia de Roma para Avinhão, no limite sul da França.

O Islamismo

Maomé foi o fundador do islamismo. Ele nasceu na Arábia Saudita, na cidade de Meca, em 570 a.C. A sua fuga para Medina, em 622, marca a data do início da religião e do calendário muçulmano.

O crescimento do islamismo impôs a igreja oriental uma sujeição de escravatura, ao mesmo tempo que ameaçava conquistar toda a Europa.

Após treze séculos do seu aparecimento, a fé islâmica é adotada por mais de seiscentos milhões de pessoas, e continua a crescer no continente africano.

A religião e as armas maometanas conseguiram grandes avanços sobre o mundo oriental por que os seus adeptos:

a) Eram submissos a Maomé;
b) Os primeiros crentes maometanos eram guerreiros árabes ferozes;
c) Acreditavam estar cumprindo a vontade de Deus;
d) Acreditavam que, através das guerras santas, estariam garantindo o direito de entrar nos céus da prazer sensual.

A separação das igrejas latina e grega

Desde o sécuio X até ao XlX, existiu na Europa uma organização política com o nome de Sacro Império Romano.

Na última etapa do século Vlll levantou-se um dos maiores homens de todos os tempos: Carlos Magno (742-814). Ele era rei dos francos, uma tribo germânica que dominava uma grande parte da França, e constituiu-se senhor de quase todos os países da Europa Ocidental, norte da Espanha, França, Alemanha, Países Baixos, Áustria e Itália. Ele era reformador, conquistador, legislador, protetor da educação e da igreja.

Ao visitar a cidade de Roma, no Natal de 800, foi coroado pelo papa Leão III, como Carlos Augusto, sucessor de Constantino;

Durante muitos séculos a história registrou rivalidades e até mesmo guerras entre papas e imperadores. Os papas, como Inocêncio lll, nomeavam e destituiam imperadores e reis.

A luta tornou-se menos intensa e cessou, depois da Reforma, quando se-fixaram as linhas divisórias entre a igreja e o Estado.

A separação das igrejas latina e grega ocorreu formalmente no século XI, ainda que praticamente se tivesse concretizado muito tempo antes. Em 1054, com as cartas mútuas de excomunhão, aquelas igrejas se separaram até os dias de hoje.

As cruzadas

As cruzadas foram outro grande movimento da Idade Média, que se iniciaram no fim do século onze e prolongaram-se por quase trezentos anos.

A suposta finalidade das cruzadas era a de libertar Jerusalém das mãos dos ímpios maometanos e cristianizá-los. O que conseguiram foi obter o ódio deles.

As principais cruzadas foram sete. A primeira foi anunciada pelo papa Urbano II, em 1095, no Concílio de Clermont. A última foi liderada por Luiz IX, juntamente com o príncipe Eduardo Plantagenet, da Inglaterra, que veio a ser Eduardo I, e durou de 1270 a 1272.

As cruzadas não conseguiram libertar a cidade santa do domínio dos maometanos, porém trouxeram alguns resultados positivos:

a) Deram grande impulso ao comércio;
b) Melhoraram o conhecimento das nações entre si.

O movimento monástico

Descontentes com os costumes pagãos, que se infiltraram na igreja, muitos cristãos, na busca de uma vida mais espiritual afastaram-se da vida social.

O movimento monástico na Europa se desenvolveu bastante neste período da história da Igreja e teve grande influência na arte literária medieval.

No Oriente os ascetas primitivos viviam separados em cavernas, cabanas ou colunas. Na Europa Ocidental formavam comunidades e viviam juntos, em mosteiros, sob um governo e organização que foi chamada de Ordem.

As principais ordens foram:

a) Beneditina – a primeira, fundada em 529 por S. Bento.
b) Cistercienses – surgiram em 1098 em Citeaux (Franqa) por S. Roberto.
c) Dominicanos – fundada por S. Domingos em 1215, na Espanha.
d) Franciscana – fundada em 1209 por S. Francisco de Assis.

Na área da literatura, os mosteiros guardavam em suas bibliotecas muitas das mais antigas obras clássicas e cristãs. Os monges copiavam livros, escreviam as biografias de personalidades importantes, crônicas do seu tempo e histórias do passado. Duas obras importantes dessa época foram:

a) Cânticos – de S. Bernardo.
b) Imitação de Cristo – de Kemps.

Movimentos reformadores

Cinco grandes movimentos de reforma surgiram na igreja. O mundo não estava preparado para recebê-los, de modo que os reprimiu com perseguições sangrentas.

1. Os Albigenses ou Cártaros (1170) – viviam no Sul da França, Norte da Espanha e da Itália. Usavam as Escrituras e eram muito zelosos da pureza moral, sendo chamados “puritanos”. Distribuíam o NT e opunham-se as doutrinas romanas do purgatório, a adoração de imagens e as pretensões sacerdotais. Pregavam contra as imoralidades do clero e as peregrinações. Foram massacrados em cruzada ordenada pelo Papa Inocêncio III.

2. Os Valdenses (1170) – Eram liderados por Pedro Valdo, rico comerciante de Lyon. Opunha-se a usurpação e ao desregramento do clero e negava-Ihes o direito exclusivo de pregar o Evangelho. Lia, distribuía e explicava as Escrituras, contrariando os costumes e as doutrinas dos católicos romanos. Ensinava que a Bíblia era a única regra de fé e conduta. Despertou no povo grande desejo de ler a Bíblia.

3. João Wyclif (1380) – Iniciou um movimento na Inglaterra a favor da libertação do domínio do poder romano e da reforma da igreja. Era professor em Oxford, Inglaterra. Pregava contra a dominação espiritual do clero e a autoridade do papa, opunha-se à existência de papas, cardeais, patriarcas e padres e atacou a confissão auricular. Traduziu a Bíblia para o inglês e defendeu o direito, que o povo tinha, de lê-la.

4. João Huss (1445) – Um dos leitores dos escritos de Wyclif, pregou as mesmas doutrinas e proclamou a necessidade de se libertarem da autoridade papal. Era reitor da Universidade de Praga, Boêmia. Atacava os vícios do clero e as corrupções da igreja. Condenava a venda de indulgências e rejeitava o purgatório e o uso de língua estrangeira na liturgia. Exaltava as Escrituras acima dos dogmas e ordenanças da Igreja. Foi queimado vivo e seus adeptos extirpados em cruzada ordenada pelo papa.

5. Jerônimo Savonarola (1452-1498) – Monge da ordem dos Dominicanos, em Florença, Itália, chegando a ser o prior do Mosteiro de S. Marcos. Pregava contra a sensualidade e o pecado da cidade, e contra os vícios do papa. A cidade penitenciou-se e se reformou. O Papa Alexandre Vl procurou, de todos os modos, silenciá-lo; tentou até suborná-lo, com o chapéu cardinalício, mas, em vão. Foi enforcado e queimado na grande praça de Florença.

Além destes grandes movimentos de reforma, alguns homens eruditos desta época destacaram-se por suas obras:

1. Anselmo (1033-1109) – Monge do Mosteiro de Bec, na Normandia. Alcançou o cargo de abade. Escreveu várias obras teológicas e filosóficas.

2. Pedro Abelardo (1079-1142) – Filósofo e teólogo. Foi o pensador mais ousado da Idade Média. É o fundador da Universidade de Paris.

3. Bernardo de Clairvaux (1090-1153) – Nobre francês que renunciou a nobreza, a fim de entrar para um convento. Organizou a segunda cruzada em 1147. Pensador místico e prático, é autor de vários hinos.

4. Tomás de Aquino (1225-1274) – Foi a mentalidade maior da Idade Média. Foi chamado “doutor universal, doutor angélico e príncipe da escolástica”, tomando-se a autoridade mais célebre de todo o período medieval, na filosofia e na teologia.

Outro fato importante, fechando o período, foi a queda de Constantinopla nas mãos dos turcos muçulmanos, em 1453. Ela fora feita capital do Império Romano por Constantino. Durante a Idade Média, continuou como capital do Império Oriental e sede da Igreja Grega, sendo a segunda cidade do mundo. Atualmente denomina-se Istambul.

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Sardes

 

A carta:
Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas: Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, e estás morto. Sê vigilante, e confirma o restante, que estava para morrer; porque não tenho achado as tuas obras perfeitas diante do meu Deus. Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei. Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes e comigo andarão vestidas de branco, porquanto são dignas. O que vencer será assim vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; antes confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito diz às igrejas. (Ap 3.1-6).

Destinatário:
Sardes era uma cidade de glória deslustrada. Outrora tinha sido a capital do antigo reino da Lídia, mas entrou em ocaso, depois da conquista persa, até que Tibério a reconstruiu depois de um terremoto. A cidade era célebre por duas coisas: a sua indústria de tintura e lã, e a libertinagem. A igreja em Sardes parece refletir a história da cidade. Houve tempos quando tinha um nome para progresso espiritual, mas agora era sem vida (1); a libertinagem caracterizava tanto os cristãos como os pagãos, de sorte que ali havia poucas pessoas que não tinham contaminado os seus vestidos (4), isto é, manchado a sua profissão cristã. Consequentemente, ela foi censurada com uma severidade igualada somente na carta aos laodicenses. O título reflete 1.4 e 1.16. Cristo se apresenta como o possuidor dos sete espíritos, possivelmente para representar o Seu perfeito conhecimento dos feitos da igreja (veja vers. 6), se bem que isto possa sugerir os dons espirituais que ele deseja conferir-lhe em contraste ao estado desanimado da igreja. Para as sete estrelas (1) ver 1.4 e 1.20. Note-se que embora alguns cristãos permaneçam fiéis ao seu Senhor (4), a igreja como tal é caracterizada como morta; por estarem nesta condição todos são tidos como responsáveis. Com a primeira parte do vers. 2, comparar Mt 24.42; com a segunda parte, comparar Dn 5.27. Os tempos dos verbos no vers. 3 são descomunalmente variados: “Lembra-te (presente), pois, do que tens recebido (perfeito) e ouvido (aoristo); e guarda-o (presente), e arrepende-te (aoristo). E se não vigiares (3) relembra Mt 24.43-44 e se refere ao Advento final. Alguns estudiosos consideram que Ap 16.15 tem sido deslocado e deve ser inserido logo antes desta afirmação. É fato que a situação de 16.15 no contexto atual é curiosa e fica melhor aqui, mas a deslocação do texto não passa de ser pura conjetura. O seu nome (5). Segundo certo uso da época o nome era sinônimo de “pessoa”. É de supor que os cristãos contaminavam os seus vestidos acomodando-se aos costumes pagãos dos seus próximos. Aquele que mantinha o seu caráter e testemunho imaculados haveria de acompanhar a Cristo num vestuário de glória. Andarão comigo (5); Swete compara o convivio dos doze com Ele, nos dias do seu ministério terrestre. O vencedor recebe a dupla promessa deste privilégio. A literatura apocalíptica contemporânea considerava o corpo da ressurreição como um vestuário de glória. A idéia é usada por Paulo (ver 2Co 5.4), e se revela neste livro também (ver 4.4). Porém 7.13-14 e 19.8 parecem salientar a pureza moral no uso deste símbolo, enquanto que, segundo Swete, o uso de branco às vezes denota festividade (Ec 9.8) e vitória. Parece que várias idéias se associam com este quadro; é bom aceitar e ao mesmo tempo reconhecer que o elemento ético predomina.

O riscar do livro da vida (5) recorda Êx 32.32, onde o livro mencionado é um registro dos cidadãos do reino teocrático, aqui trata-se do registro de reino eterno, como em Dn 12.1 e muitas passagens neotestamentárias (ver por exemplo, Lc 10.20; Fp 4.3; Hb 12.23). Ver Ap 20.12 e 15, onde isto se explica. Para a confissão do vencedor, comparar Mt 10.32.

O cumprimento das eras históricas:
A Idade Média – Igrejas que manifestam um formalismo crescente, declínio espiritual. (Bíblia Thompson, 4337 – Pág. 1476).

A Igreja reformada
Desde a queda de Constantinopla, até o fim da Guerra dos Trinta Anos.
(do ano 1453 ao 1648 d.C.)

O grande acontecimento destes duzentos anos foi a Reforma, que iniciou na Alemanha, espalhou-se por todo o norte da Europa e teve como resultado o estabelecimento de igrejas nacionais, que não prestavam obediência nem fidelidade a Roma.

Além dos movimentos reformadores apresentados anteriormente, outras forças contribuíram para a Reforma:

1. O fortalecimento da burguesia.
2. A formação de monarquias nacionais.
3. O Movimento Renascentista – Um despertar da Europa pela literatura, artes e ciência.
4. Os estudiosos italianos, destacando-se mais pela sua cultura que pela sua vida religiosa.
5. A invenção da imprensa por Gutemberg, em 1455.
6. O espírito nacionalista europeu, inconformado com as intervenções estrangeiras.
7. O comércio de indulgências a fim de construir a Basílica de S. Pedro.

Esses fatores, somados a prática de venda dos cargos religiosos, indulgências e relíquias sagradas, tornaram a Igreja alvo fácil da crítica dos intelectuais, dos fiéis e dos próprios religiosos interessados em reformá-la.

O clero medieval era intimamente ligado a nobreza feudal, embora disputassem poder e riquezas. Seus membros, em geral filhos ou parentes dos senhores feudais, eram mais afeitos a vida material do que a espiritual. Cuidavam dos rendimentos das terras, do recebimento do dízimo, da cobrança dos ofícios religiosos e de outras fontes de rendas. Em geral, eram analfabetos ou pouco instruídos e não sabiam explicar o conteúdo de sua religião. A idéia de caridade ou fraternidade humana não existia para a maior parte do clero.

Por estas razões, os burgueses eram contrários as pregações morais dos padres e também desejavam reter, no território nacional, os capitais que a Igreja retirava dos países europeus e mandava para Roma, dificultando o desenvolvimento comercial desses países, prejudicando a burguesia.

A grande Reforma teve início em 31 de outubro de 1517, quando Martinho Lutero, monge agostiniano, afixou na porta da Catedral de Wittemberg um pergaminho com 95 teses, combatendo a venda de indulgências e atacando a autoridade papal.

Após prolongadas controvérsias e publicação de folhetos, as idéias reformistas de Lutero alcançaram toda a Alemanha, até que ele foi intimado a comparecer ante a Dieta do Concílio Supremo do Reno para se retratar. Como ele não se retratou, e passou a correr risco de vida, Frederico, da Saxônia, deu-Ihe proteção para livrá-lo de emboscadas. No castelo deste amigo, Lutero traduziu todo o Novo Testamento para o alemão e, mais tarde, o Antigo Testamento.

Princípios consagrados pela Reforma:

a) A religião é pessoal.
b) A religião devia ser racional e inteligente.
c) A verdadeira religião está baseada nas Escrituras.
d) A religião era espiritual, e assim, diferente da formalista.
e) A existência de uma igreja nacional, independente da igreja mundial.

O princípio básico do luteranismo era o da salvação pela fé. O homem só poderia ser salvo pela fé, concedida unicamente pela graça de Deus, e apenas ela poderia regenerar o pecador. Só a fé pode fazer o homem enxergar o bem. O crente transforma-se num servo de Deus, que deve relacionar-se com Ele através do seu fervor.

O perdão dos pecados só pertence ao poder e a vontade de Deus, e nenhuma instituição eclesiástica pode servir de intermediária para concedê-lo.

Segundo Lutero, a Igreja, ao negociar o perdão divino, levava as almas para a superstição, pondo em perigo a verdadeira devoção. Aboliu o culto dos santos e a adoração das imagens, que considerava reminiscência dos cultos pagãos, e apregoou que todo cristão poderia examinar livremente a Bíblia, porque a alma iluminada pela fé se tornava capaz de entender as mensagens do Senhor.

Lutero propunha a formação de uma Igreja nacional autônoma, a extinção do celibato clerical e medidas contra o luxo e a usura, porém respeitava o lucro, o dinheiro e a hierarquia social. Para ele a Igreja não necessitava de riquezas e o poder espiritual deveria estar subordinado ao poder temporal.

A reforma em outros países

A reforma alemã impulsionou outras reformas, que estavam em andamento em outros países da Europa:

1. Suiça – Foi independente do movimento alemão, apesar de ser simultânea. Teve a orientação de Ulrico Zuínglio, que em 1517 atacou “a remissão dos pecados”, que muitos procuravam por meio de peregrinações a um altar da Virgem de Eisieldn. Em 1522, rompeu definitivamente com Roma.

2. França – O movimento de reforma começou bem antes da Alemanha, liderado por Jacques Lefevre, em 1512, que pregou e escreveu acerca da “justificação pela fé”. O movimento sofreu um duro golpe na famosa e terrível noite de São Bartolomeu, quando muitos foram mortos covardemente.

3. Países Baixos (Bélgica e Holanda) – Sob a direção de Guilherme, o Taciturno, desvincularam-se do governo da Espanha. A Holanda tornou-se protestante, porém a Bélgica continuou prioritariamente católica romana.

4. Inglaterra – Iniciou no reinado de Henrique Vlll. Um dos dirigentes foi João Tyndale, que traduziu o NT para o Inglês. Sob Eduardo Vl, a causa da Reforma progrediu grandemente. A igreja da Inglaterra foi fundada sob a direção de Cranmer e outros.

5. Escandinávia (Dinamarca, Suécia e Noruega) – Receberam com simpatia os ensinos de Lutero.

No findar do século XVI todos os países do norte da Europa, ao oeste da Rússia, estavam separados da influência religiosa de Roma, e haviam estabelecido suas próprias igrejas nacionais.

A figura principal deste período foi, sem dúvida, Martinho Lutero, mas ele não andou só. Outros grandes nomes também fizeram a Reforma como João Calvino, Tomás Cranmer, João Knox, e outros.

A contra-reforma

O protestantismo alastrava-se na Europa e a Igreja precisava conter sua expansão. Por isso, em 1541, o papa Paulo III deu início a Reforma Católica ou Contra-Reforma.

A igreja católica romana não ficou de braços cruzados. Tão logo se deu início a reforma, ela esforçou-se ao máximo para recuperar o terreno perdido.

Em 1545 começou o Concílio de Trento, que tentou reformar a igreja moral, econômica e politicamente, procurando definir o que levou a reforma.

Este concílio não restabeleceu a unidade da Igreja e significou o fim de todo e qualquer liberalismo na Igreja. Todos os dogmas foram reafirmados: a transubstanciação; os sacramentos como meio de salvação das almas; a invocação dos santos e suas representações em imagens; o celibato clerical foi mantido; a interpretação da Bíblia devia estar de acordo com os doutores da Igreja; a supremacia e a infalibilidade do papa foram reafirmadas; os cargos religiosos não mais seriam leiloados; foram criados seminários para a formação dos padres; a arte foi colocada sob a supervisão dos teólogos; o nú foi proibido na obra de arte.

Foi no campo da literatura, da filosofia e das ciências que a repressão tornou-se maior. Para serem impressas, todas as obras tinham de ser submetidas a censura da Inquisição, em que eram examinadas para constatar-se a existência ou não de algo contra a Igreja Católica. Os livros contrários a doutrina iam para o Index, uma relação de livros proibidos.

Entre os absurdos cometidos, há o exemplo de Galileu, que procurou demonstrar que a Terra girava em torno do Sol (teoria do heliocentrismo), contrariando aquilo que a igreja afirmara durante a Idade Média (teoria do geocentrismo) e colocando em situação ridícula a afirmação de que o papa era o representante de Deus no mundo, pois, como se poderia aceitar que um habitante da Terra (o papa) fosse o representante de Deus no Universo se o Sol fosse mais importante que a Terra?!

A época da Contra-Reforma representou para os países católicos um período de estagnação cultural.

Outra arma poderosa usada pela igreja romana foi a perseguição, para impedir o crescente espírito da Reforma. A Inquisição foi restabelecida em 1542, e, no ano seguinte, veio o Index.

Tratava-se então de restaurar o catolicismo pelo autoritarismo e pela força. Os humanistas eram perseguidos pelo alto clero. O espírito de fanatismo e intolerância levou a hostilidade contra as idéias humanistas do Renascimento. O dogmatismo, a rígida disciplina religiosa e a intolerância marcaram a Contra-Reforma.

Seus objetivos fundamentais eram a contenção do protestantismo na Europa e a expansão do catolicismo para os continentes recém-descobertos, a fim de compensar as perdas da Igreja no Velho continente.

Uma outra força da Contra-Reforma foi o movimento missionário pelas ordens, principalmente a dos jesuítas.

A Companhia de Jesus, fundada por Ignácio de Loyola, foi oficializada no Concílio de Trento e chegou a ser conhecida como o “Exército de Cristo”. Os jesuítas eram tenazes, engajados e tinham maior perspicácia. Formaram uma organização militante, fechada, rigorosamente centralizada e obediente. Incansáveis, foram eles que levaram o catolicismo para outros continentes.

Entre os católicos os grandes nomes foram: Tomás de Aquino e São Francisco Xavier.

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Filadélfia

 

A carta:
Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: Conheço as tuas obras (eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar), que tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Eis que farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não o são, mas mentem, eis que farei que venham, e adorem prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo. Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra. Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, donde jamais sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo nome. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. (Ap 3.7-13).

Destinatário:
Devido a frequentes terremotos, a população de Filadélfia era pequena. A igreja parece ter sido numericamente fraca (ver vers. 8, “tendo pouca força”). Não há nenhuma alusão à perseguição das autoridades pagãs, nem a heresias dentro da igreja; como em Esmirna, os judeus criavam um problema (9). Em contraste notável à carta que precede e à que se lhe segue, não há repreensão nem advertência do Senhor para esta igreja, mas apenas encômio e exortação. Os predicados santo e verdadeiro (7), aplicados aqui a Cristo, são usados em 6.10 em referência a Deus, assim dando uma das muitas indicações neste livro de que os atributos de Deus são compartilhados por Cristo. Jesus é verdadeiro no sentido de “fiel a sua palavra”. Isto se diz em conexão com a sua posse da chave de Davi (7), uma frase que recorda 1.18, mas que, na realidade, cita Is 22.22; reivindica para Cristo o direito de ingressar ou fechar ao homem a cidade de Davi, a nova Jerusalém, o reino messiânico. A relevância deste poder se manifesta no trecho entre parênteses, vers. 8-9.

Os judeus de Filadélfia não eram mais dignos do nome do que os seus compatriotas em Esmirna e, como estes, são designados a sinagoga de Satanás (9). Este versículo declara que um dia, presumivelmente e ao estabelecer-se o reino messiânico, eles serão obrigados a reconhecer que estes cristãos desprezados são na realidade os companheiros do Filho do Homem, os herdeiros do reino de Deus. É claro que os judeus ainda negavam esta última reivindicação. “Vós cristãos”, diziam eles, “sois excluídos do reino; é para nós, os judeus”. “Assim não”, declara o Senhor; “Eu sou fiel à minha promessa. Só eu tenho a chave do reino. Tenho posto diante do meu povo, uma porta aberta que ninguém pode fechar. Eles entrarão no reino, e a homenagem que vós, judeus, esperais receber dos gentios (Is 60.14), vós tereis que prestar a eles”. Esta interpretação coaduna afirmações aparentemente sem nexo e concorda com a promessa do vers. 12. A fidelidade desta fraca comunidade cristã (8) receberá a sua devida compensação. A hora da tentação (“provação”), de que o Senhor guardará estes cristãos, não se refere ao prazo em que os juízos de Deus cairão sobre a terra, mas ás próprias tribulações. Cfr. Mc 14.35, onde a “hora” representa os horrores da cruz e as circunstâncias concomitantes. A tribulação mencionada aqui se aplica àqueles que habitam na terra (10), a frase técnica neste livro para os descrentes do mundo (cfr. 11.10). Para uma representação pictórica desta promessa ver 7.1-4.

O vencedor será uma coluna no templo (12); 21.22 torna claro que não haverá outro templo na Jerusalém celeste senão Deus e o cordeiro. Esta promessa assegura nossa indissolúvel união com Deus para todo sempre. Escreverei sobre ele o nome do meu Deus (12). Caso esta frase se usar com a mesma metáfora a inscrição seria na coluna e não na testa do vencedor.

O motivo de orgulho do vencedor, contudo, não deverá ser nos seus feitos, mas antes no fato de que ele leva o nome do seu Deus, e da cidade de Deus, e o novo nome de Cristo; isto é; ele pertence a Deus e a Cristo revelado em glória (19.12); é cidadão da nova Jerusalém, o eterno reino de Deus (21.2).

O cumprimento das eras históricas:
O período da reforma, a época de Lutero – Todas as igrejas verdadeiramente espirituais. (Bíblia Thompson, 4337 – Pág. 1476).

A Igreja na era moderna
Desde o fim da Guerra dos Trinta Anos
(do ano 1648 em diante)

Separada do mundo protestante, a igreja romana seguiu seu próprio caminho. Nestes últimos três séculos, a atenção vai para as igrejas que nasceram da reforma.

Na Inglaterra surgiram três grupos na igreja:

a) Os romanistas – Procuravam fazer amizade e nova união com Roma.
b) Os anglicanos – Estavam satisfeitos com as reformas moderadas nos reinados de Henrique Vlll e da rainha Elizabete.
c) Os protestantes radicais – Desejavam uma igreja igual às que se estabeleceram em Genebra e Escócia, e ficaram conhecidos como os “Puritanos”.

Um grande despertamento surgiu na Inglaterra através de João Wesley, Carlos Wesley e Jorge Whitefield. Este último era pregador muito eloquente, que comovia os corações de milhares de pessoas, tanto na Inglaterra como nos EUA. Carlos Wesley era poeta sacro e hinarista. João Wesley foi o indiscutível líder e estadista do movimento. Com 35 anos desempenhava funções no clero anglicano. Mesmo perseguido e proibido de pregar nos púlpitos de sua igreja, Wesley se considerava anglicano.

O racionalismo cresceu nas universidades da Alemanha, e teve seu apogeu na obra de Frederico Strauss, chamada “A Vida de Jesus”, que tentou provar que os Evangelhos eram mitos e lendas. Esta obra foi traduzida para o inglês, porém seu pensamento foi transformado de racionalista para ortodoxo.

Em 1875, apareceu uma outra tendência na igreja na Inglaterra, que provocou forte controvérsia: o movimento anglo-católico que consistia num esforço para separar a igreja inglesa do protestantismo, e restaurar as doutrinas e práticas dos séculos primitivos, antes da reforma.

O movimento missionário moderno

Desde 1732 os morávios iniciaram o estabelecimento de missões estrangeiras.

Na Inglaterra, o fundador das missões modernas foi Guilherme Carey, um sapateiro que em 1789 se tornou ministro da Igreja Batista. Depois de passar por forte oposição em sua igreja, foi enviado como missionário para a Índia. O movimento missionário Americano teve seu impulso inicial na famosa “reunião de oração” do Colégio Williams, MA, em 1811. Um grupo de estudantes se reuniu para orar por missões mundiais. Como resultado foi fundada a Junta Americana de Comissionados para Missoes Estrangeiras.

Dentre os principais homens deste século, podemos citar também:

1. Ricardo Hooker (1554-1600) – autor da obra mais famosa e influente na constituição da igreja da Inglaterra.
2. Tomás de Cartwright (1535-1603) – fundador do puritanismo juntamente com Oliver Cromwell.
3. Jonathan Edwards (1703-1758) – Primeiro de todos os norte-americanos em metafísica e teologia. O maior teólogo do século XVIII.
4. João Henrique Newman (1801-1890) – Famoso pela habilidade e estilo lúcido de seus escritos, pela clareza de suas idéias, pelo fervor de sua pregação e sobretudo por uma rara atração pessoal, foi dirigente do movimento anglo-católico no século XIX.
5. Guilherme Carey (1761-1834) – Pai das missões protestantes modernas. Seu monumento é o vastíssimo sistema de pregação e educação missionária que está transformando o mundo pagão.

Atualmente o Evangelho é conhecido por todos os países do mundo. Uma característica muito grande do cristianismo atual é o espírito de serviço social. Por intermédio do movimento missionário foram fundadas escolas, hospitais, orfanatos e outras instituições filantrópicas cristãs.

O Evangelho na américa do norte

As maiores denominações ou organizações religiosas dos EUA foram, por ordem, de implantação:

1. Católica Romana – Chegou nos EUA quando das primeiras expedições por parte de Portugal, Espanha e França, nações católicas-romanas (1494).
2. Protestantes – A conquista britânica do Canadá em 1759, e mais tarde a cessão da Louisiana e do Texas aos EUA, fez com que o protestantismo passasse a predominar sobre o catolicismo.
a) Episcopal – Foi a primeira igreja protestante a chegar nos EUA, em 1579, através de Sir Francis Drake, porém a data do estabelecimento permanente da igreja inglesa foi 1607. Mais tarde a igreja da América passou a chamar-se Igreja Protestante Episcopal.
b) Peregrinos – Eram congregacionalistas separatistas e os elementos mais radicais do movimento puritano inglês, exilados na Holanda por causas de suas idéias. Começaram a chegar na região de Nova Inglaterra no navio Mayflower, em 1620.
c) Congregacionais e Presbiterianos – Suas relações eram amigáveis porque ambos eram calvinistas e adotaram a Convenção de Westminster. A partir de 1852, os congregacionais extinguiram o pacto de união entre as duas igrejas, e daí por diante cada uma passou por um grande crescimento. Em 1931 as Igrejas Cristãs e a Congregacional se uniram para formar a Igreja Cristã Congregacional.
d) Igreja Protestante Reformada Holandesa – Em 1628 foi formada esta igreja em Nova lorque. Em 1664, Nova lorque foi tomada pelos ingleses e a igreja da Inglaterra passou a ser a igreja do Estado. Em 1867, a igreja holandesa passou a chamar-se apenas de Igreja Reformada da América.
e) Igreja Reformada dos EUA – Igreja de origem alemã foi estabelecida no início do século XVIII.
f) Igreja Cristã Reformada – Igreja que se desligou da igreja do Estado na Holanda em 1834.
g) A Verdadeira igreja Reformada – foi a quarta igreja reformada que apareceu.
h) Igreja Batista – Uma das maiores igrejas existentes na América do Norte. Iniciou suas atividades nos EUA com Roger Williams, clérigo da Igreja da Inglaterra expulso de Massachusetts por se recusar a aceitar as regras e opiniões congregacionais. Fundou a colônia de Rhode Island em 1644.
i) Quacres – Sociedade, não igreja, que mais se afastou do sacerdócio do governo da igreja.

Outras denominações pós-reforma começaram a chegar nos EUA.

1. Luteranos – Os luteranos suecos começaram a se estabelecer em Delaware, construindo o primeiro templo luterano na América do Norte em Lewes.
2. Presbiterianos – Surgiram de duas origens:
a) Igreja Presbiteriana da Escócia – reformada por João Knox, em 1560.
b) Movimento Puritano da Inglaterra – Expulsão de mais de dois mil pastores presbiterianos (puritanos) da Inglaterra.

Os Escoceses, Ingleses e Irlandeses formaram a igreja Presbiteriana nos EUA. Uma das primeiras igrejas foi organizada em Snow Hill, Mariland, em 1648, por Francis Makemie, da Irlanda.

3. Metodistas – Existe no Novo Mundo desde 1766, quando os pregadores wesleyanos locais, naturais da Irlanda, se transferiram para os EUA e começaram a realizar cultos segundo a ordem dos metodistas.
4. Irmãos Unidos – Foi a primeira igreja evangélica que se fundou nos EUA, sem ter origem no Velho Mundo, em 1767.
5. Discípulos de Cristo – Inteiramente americana em sua origem. Existe desde 1894, depois de um grande despertamento religioso em Tenessee e em Kentucky, no qual a Bíblia, sem nenhuma declaração doutrinária, seria a única regra de fé e o único nome seria Cristã. Também chamada de Igreja Cristã.
6. Unitários – Apareceram como uma escola de pensamentos nas igrejas de Nova Inglaterra. Em 1785, em Boston, foi fundada a primeira Igreja Unitária dos EUA a partir da igreja Protestante Episcopal.
7. Ciência Cristã – É composta daqueles que aceitam como autoridade os ensinos da Srª Maria Baker Eddy. Ela fundou em 1867, uma associação dos que aceitavam a ciência Cristã.

Os índios da tribo Huron, na província de Ontário, no Canadá, foram alcançados pelos jesuítas católicos durante o século XVII.

Mais tarde a Igreja Anglicana da Inglaterra também se estabeleceu no Canadá. E, do mesmo modo, as outras denominações protestantes que se estabeleceram nos EUA também fundaram igrejas no Canadá.

Em 1925 os metodistas uniram-se aos congregacionais e parte dos presbiterianos, a fim de formarem a igreja Unida do Canadá, com cerca de 3.700.000 membros, sendo 1.500.000 na província de Ontário.

Os batistas, luteranos e outras igrejas protestantes sempre exerceram forte influência nos assuntos públicos.

Na Colúmbia Britânica, se estabeleceu a seita russa dos doukhobors, no começo do século XX.

Também há cerca de 152.000 menonitas.

O Evangelho na América Latina

1. México – Entre 1860 e 1864, registrou-se um movimento na capital, em favor do Evangelho, que resultou na formação de vários núcleos de caráter inteiramente nacional, reunindo pessoas que aceitavam somente as doutrinas bíblicas e repudiavam as doutrinas estranhas praticadas pelas igrejas de Roma.

2. Guatemala – Os primeiros esforços evangelísticos se realizaram em meados do século XIX, sem efeito, em razão das perseguições dos romanistas. Só em 1884 foi possível estabelecer a obra missionária definitivamente.

3. América Central – Há trabalhos importantes nas Repúblicas de Nicarágua e El Salvador realizados pelos batistas e assembleianos.

4. Chile – Em 1845 chegou ao Chile Daniel Trumbull, que se limitou a pregar para o povo de língua inglesa.

5. Bolívia – Depois de perseguições e martírios, durante muitos anos, a Bolívia se abriu para o Evangelho. Os primeiros foram os colportores da sociedade Bíblica Americana.

6. Peru – Tal como na Bolívia, os primeiros a chegarem foram os colportores da Bíblia, que foram perseguidos e alguns mortos. Do mesmo modo se abriu para o Evangelho, fazendo com que os esforços daqueles valentes de Deus não fossem em vão.

7. Colômbia – Os presbiterianos mantiveram bons trabalhos neste país.

8. Venezuela – Há uma nova vida na obra missionária indígena.

9. Guianas – Há diversos trabalhos missionários.

10. Argentina – Gomeçou em casas particulares de famílias inglesas, em Buenos Aires, em 1823. Mais tarde veio a pregação em castelhano, que iniciou em 25/05/1866.

11. Uruguai – Este país caminha na vanguarda dos países da América do Sul, no que se refere a organização da juventude evangélica.

12. Porto Rico e São Domingos – Há vários centros missionários pertencentes a várias denominações.

13. Brasil – Depois de várias tentativas de evangelização, desde os huguenotes, em 1555, até início deste século, o Brasil tem sido ricamente abençoado. Nos tempos modernos o privilégio de evangelizar o Brasil coube a Roberto Kalley, médico escocês, que iniciou o trabalho em 1855. O primeiro presbiteriano foi A. G. Simonton, que chegou no Rio de Janeiro em 1859. Os Metodistas estabeleceram-se em 1876. Os Batistas em 1881, por W. B. Bagby. Os Episcopais se estabeleceram no Rio Grande do Sul e a sociedade missionária inglesa entre os indígenas da Amazônia.

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Laodicéia

 

A carta:
Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca. Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. (Ap 3.14-22).

Destinatário:
Laodiceia era situada à margem dum rio e ficava no entroncamento de três estradas que atravessavam a Ásia Menor. De modo natural, ela se tornou um grande centro comercial e administrativo. Três fatos que se conhecem acerca da cidade, lançam luz sobre esta carta: era um centro bancário de fabulosas reservas financeiras; as indústrias principais eram de tecidos e tapetes de lã; possuía também uma faculdade de medicina. A igreja não era acusada de imoralidade, nem de idolatria, nem tão pouco de franca apostasia (perseguição era desconhecida em Laodicéia). A terrível condenação que se pronunciava sobre ela era devido ao orgulho e auto-satisfação do elemento pagão dentro da igreja de sorte que sua comunhão com Cristo se enfraqueceu tragicamente. A severa descrição da sua condição espiritual (17) e a admoestação ao arrependimento (18), são apresentados em termos das três ocupações da cidade.

Na qualidade de o Amém (14) Jesus é a encarnação da verdade e fidelidade de Deus (ver Is 65.16); o uso cristão do Amém acrescenta a idéia de que Ele também cumpridor fiel dos propósitos declarados de Deus. Nesta designação achamos um contraste singular com a infidelidade dos laodicenses. Semelhantemente o título o princípio da criação de Deus (14) exalta a Cristo como Criador acima das pequeninas criaturas orgulhosas que se gabam da sua auto-suficiência. No vers. 16, se encontra uma censura sem igual no Novo Testamento, como expressão do aborrecimento de Cristo. A referência prende-se ao último juízo (cfr. Lc 13.25-28). Os vers. 17 e 18 formulam uma só afirmação: Pois dizes: … Aconselho-te que compres… A pretensão dos laodicenses não é apenas que eles de nada carecem, mas que a sua riqueza, tanto moral como material se deve completamente aos seus próprios esforços. Revela-se a sua verdadeira condição de pobreza, apesar de possuir dinheiro; de nudez, a despeito da sua abundância de vestidos; de cegueira, embora haja nela muitos médicos. Esta igreja, portanto é a única de todas as sete, a ser chamada de miserável. O seu recurso é “comprar” (cfr. Is 55.1) de Cristo o ouro fino de um espírito regenerado, de pureza de coração, que possa levá-la à glória da ressurreição (Ap. 7.13-14) e da graça pela qual possa apropriar as realidades espirituais (cfr. 1Co 3 e 2Co 4). A condição repugnante dos laodicenses não extinguiu o amor de Cristo para com eles; a escorchante censura não é senão a expressão do seu profundo afeto que os possa levar ao arrependimento. O gracioso convite que se segue dirige-se, não à igreja coletivamente (que exigiria “se ouvirdes” a minha voz), mas a cada membro individualmente. Cristo deseja participar com eles mesmo nas atividades mais comuns da vida. Coincidente com o alto privilégio que se oferece a estes cristãos quase apóstatas é a promessa que transcende às que foram aplicadas às outras igrejas. Assim como o crente pede a Cristo que compartilhe consigo tudo quanto tem vida transitória, de igual modo, o Senhor o convida, se ele permanecer até o fim, a compartilhar o trono dos séculos vindouros dado pelo Pai. O cumprimento da promessa do reino milenar é descrito em Ap 20.4-6, e do reino eterno da nova Jerusalém em 22.5.

O cumprimento das eras históricas:
Os últimos dias – Igrejas mundanas populares, satisfeitas consigo próprias. (Bíblia Thompson, 4337 – Pág. 1476).

A Igreja Atual
Nos dias de hoje

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